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Bancos têm parte da culpa pelo crescimento baixo, diz Mantega

Em reunião, ministro volta a cobrar instituições financeiras para que reduzam os juros nos financiamentos

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h07

No dia seguinte à decisão do Banco Central de cortar a taxa básica de juros para o novo recorde de 7,5%, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a cobrar dos bancos privados a redução das taxas nos financiamentos.

Durante reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, no Palácio do Planalto, o ministro atribuiu parte da culpa pelo baixo crescimento econômico à atuação das instituições financeiras.

"Uma das razões do baixo crescimento da economia brasileira foi a escassez de crédito e os altos juros praticados pelas instituições bancárias", disse o ministro. "O crédito está voltando, principalmente pelos bancos públicos. Espera-se que os bancos privados sigam essa trajetória. Só assim teremos o crédito necessário."

A queda dos juros também foi festejada pela presidente Dilma Rousseff em seu discurso no Conselho. "Hoje, os juros têm patamar bem mais civilizado que há um ano e o câmbio não está na situação em que estava."

"Graças a esse compromisso, que eu acho que é do conjunto da sociedade brasileira, com a solidez fiscal, nós criamos esse ambiente para que a taxa de juros caísse. Ela não caiu por nenhum voluntarismo. Ela é produto de um longo caminho, de uma longa trajetória, que vem de outros governos, no sentido de buscar que o Brasil seja um País que tem a capacidade de andar sobre os próprios pés."

A presidente também voltou a mencionar o spread bancário, a diferença entre o que os bancos gastam para captar dinheiro e o que cobram dos clientes para emprestar. Mas garantiu que o Brasil chegará a "spreads condizentes com o que se pratica no resto do mundo". Segundo Mantega, o spread no Brasil ainda é um dos maiores do mundo Mesmo depois de alguma queda, ainda está longe do nível adequado. "A boa notícia é que temos lastro para gastar, o que pode ter novos efeitos positivos na economia."

Parcerias. Dilma aproveitou a reunião para destacar a intenção do governo de reforçar a parceria com o setor privado, evidenciada na semana passada com a divulgação do pacote de concessões de ferrovias e rodovias. A presidente ressaltou a importância de ampliar a competitividade do País, contando com a ajuda dos empresários para isso.

"Neste momento, uma das nossas maiores preocupações é ampliar o nível de investimento, principalmente em logística e energia, ou seja, infraestrutura. O governo e a iniciativa privada devem se unir para dotar o Brasil de infraestrutura capaz de reduzir os custos de produção e tornar o País mais competitivo em todos os mercados."

Na semana que vem, o governo deverá anunciar um pacote para reduzir os custos de energia, incluindo a redução de encargos setoriais e a reversão de concessões cujos prazos estão vencendo, afirmou Dilma. Em seguida, ela prometeu anunciar um pacote de portos e aeroportos, que ainda não está fechado e segue sob análise da Casa Civil.

A presidente, no entanto, deixou claro que o governo vai atuar onde a iniciativa privada não tem interesse. Em relação aos aeroportos, disse que poderá haver subsídio federal em alguns casos. A intenção é construir aeroportos regionais levando em conta polos econômicos, áreas turísticas e acessibilidade - locais onde sem avião não se chega.

Dilma citou como exemplo da necessidade da intervenção do Estado a BR-163, de Cuiabá (MT) a Santarém (PA). A União analisou a hipótese de concessão para a rodovia, mas concluiu que o pedágio custaria de R$ 163 a R$ 900, somando toda a sua extensão, o que seria inviável.

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