Bancos tentam tornar seus fundos de investimento mais atraentes

Banco do Brasil e Santander devem seguir o Bradesco e mudar as regras para competir com a poupança

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

Os maiores bancos brasileiros começam a reagir à perda de competitividade dos fundos de investimento em relação à poupança. O Estado apurou que o Banco do Brasil (maior gestor de recursos de terceiros do País) anunciará nas próximas semanas uma redução das taxas de administração de alguns de seus fundos de varejo. Na semana passada, o Bradesco reduziu o valor mínimo da aplicação de 30 de seus fundos. Segundo nota do banco, o objetivo é criar "condições para que os investidores tenham acesso a fundos mais competitivos em termos de rentabilidade e, dessa forma, possam diversificar sua carteira de investimentos em um cenário de queda de juros". O Estado também apurou que o Santander Real anunciará nos próximos dias medidas semelhantes às do Bradesco. O Itaú-Unibanco informou que até ontem não havia nenhuma mudança prevista para a área de fundos. Para o professor de finanças da Fipecafi Eduardo Paiva, os bancos estão confiantes na fidelidade dos clientes. "Poderíamos também chamar de preguiça", disse. Na avaliação de especialistas, uma das explicações para as altas taxas de administração no Brasil é a falta de atenção dos clientes ao assunto. Alguns fundos voltados para investidores pessoas físicas chegam a cobrar taxa de 4%. Segundo o sócio-diretor da Advisor Asset Management André Delben, nos Estados Unidos essas taxas oscilam de 0,5% a 1%. Para o professor do Laboratório de Finanças (Labfin) da Fundação Instituto de Administração (FIA) Rafael Paschoarelli, "existe uma enorme assimetria de informações entre os bancos e os clientes"."Em outras palavras, o banco sabe o que o cliente está fazendo quando aplica em um fundo, mas o cliente, não", disse. Para ele, a solução passa pela criação de uma agência reguladora de serviços financeiros. Como, por ora, não há nem sequer projeto para uma agência como essa, a receita dos especialistas é que as pessoas redobrem a atenção ao assunto. "Cada vez mais, o cliente tem de comparar o retorno do seu fundo com o dos concorrentes", disse o administrador de investimentos Fabio Colombo. Paiva observa que esse não deve ser o único critério analisado. "É preciso levar em conta, por exemplo, as vantagens que o cliente tem em termos de pagamento de tarifa da conta corrente ao manter dinheiro em um fundo. Às vezes, ele pode perder um bom benefício se trocar o fundo pela poupança."

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