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Bancos testam saída da Grécia do euro

Instituições financeiras voltam a trabalhar com planos de contingência para o caso de a economia grega deixar a união monetária

O Estado de S. Paulo

11 de janeiro de 2015 | 22h00

Os bancos e outras instituições na Europa estão realizando testes de estresse de seus sistemas internos e recuperando planos de contingência de dois anos atrás, diante da possibilidade de a Grécia deixar a união monetária da região após a eleição do final deste mês. Entre as instituições que estão realizando esses exercícios estão o Citigroup, o Goldman Sachs e corretora ICAP, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.

Os planos dessas instituições incluem verificações detalhadas sobre contrapartes que poderiam ser significativamente afetadas por uma saída da Grécia, avaliações sobre as exposições de crédito e testes de como elas iriam fornecer financiamento para as operações locais.

Algumas empresas também estão se preparando para o impacto nos sistemas de pagamento e realizando testes de plataformas de comércio de moeda para ver como lidariam com a adição de uma nova moeda grega ou com potenciais controles de capital.

Os movimentos acontecem enquanto o partido grego de oposição de esquerda Syriza continua a liderar as pesquisas de opinião antes das eleições nacionais em 25 de janeiro. O atual governo de coalizão considera a eleição como uma pesquisa sobre se o país permanece na zona do euro, dizendo que as políticas antiausteridade do Syriza forçariam uma ruptura com os parceiros da zona do euro. O Syriza, porém, não fez campanha para uma saída e a maioria dos eleitores gregos quer permanecer na união monetária, de acordo com pesquisas recentes.

A maioria dos analistas ainda considera que as chances de uma saída da Grécia são bastante baixas. Economistas do Commerzbank avaliam a possibilidade de uma saída abaixo de 25%.

“A esperança pelo melhor, planejamento pelo pior”, disse o sócio-diretor da consultoria Cinza Spark, Frederic Ponzo. As instituições financeiras muitas vezes testam seus sistemas para eventos como uma rápida mudança nos preços do petróleo ou o recente referendo sobre a independência da Escócia, acrescentou.

Alguns bancos europeus estão atualmente “tirando a poeira” de planos elaborados dois e anos atrás, quando um rompimento com a zona do euro era um tema quente. Em 2011 e 2012, bancos, corretoras e empresas com exposição significativa a ativos gregos colocaram em prática planos de contingência para minimizar as consequências de um rompimento.

No fim de 2011, o ex-presidente executivo da ICAP David Rutter disse que a empresa tinha feito teste de estresse para sua plataforma EBS de troca de moeda para todas as 17 moedas que teriam ressurgido caso houvesse uma separação completa da zona do euro. A corretora realizou testes semelhantes no início deste mês, disseram duas pessoas familiarizadas com o assunto.

Outros bancos europeus estão executando testes semelhantes de plataformas de negociação para garantir que seriam capazes de lidar com uma onda de novas moedas, de acordo com diversas pessoas familiarizadas com o assunto.

O chefe de moedas de troca em um grande banco europeu disse que reintroduzir a dracma grega para seu sistema de negociação não seria muito difícil, mas lidar com uma separação maior seria desafiador. “A Itália poderia seguir os passos da Grécia se a saída se provar bem sucedida no fornecimento de algum alívio para a crise econômica do país”, afirmou. / DOW JONES NEWSWIRE 

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