Bancos vão precisar de mais ajuda, diz presidente do Fed

Para Ben Bernanke, somente estímulo fiscal não será capaz de recuperar a economia de forma duradoura

Tamawa Kadoya, Washington, O Estadao de S.Paulo

14 de janeiro de 2009 | 00h00

O presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, disse ontem que somente estímulo fiscal não será suficiente para recuperar de forma duradoura a economia dos Estados Unidos. "Ações fiscais não devem promover uma recuperação duradoura, a menos que sejam acompanhadas por medidas fortes para a estabilização futura e o fortalecimento do sistema financeiro", disse ele, na London School of Economics.Para Bernanke, embora um esperado pacote de estímulo fiscal possa dar um "impulso significativo" à economia, o governo pode ter de injetar mais capital nos bancos. Segundo ele, uma grande quantidade de ativos desvalorizados no balanço dos bancos dificultou a obtenção de capital e de empréstimos.Bernanke acrescentou que o governo pode considerar a compra de ativos problemáticos, fornecendo garantias em ativos ou criando uma instituição para comprar ativos podres de bancos, em troca de dinheiro e ações. "Com a piora das perspectivas de expansão da economia, a continuidade das perdas de crédito e a desvalorização de ativos podem manter por algum tempo a pressão sobre o capital e o balanço das instituições financeiras."PIORA GLOBALBernanke disse que a forma como os governos respondem à crise financeira determinará o momento e a força da recuperação. "Há quase um ano e meio o sistema financeiro global está sob extraordinário stress, que agora se espalhou decisivamente pela economia global", disse. "O estrago na perda de produção, de empregos e de riqueza já é substancial."Segundo ele, o Fed ainda tem "instrumentos poderosos" para estimular a recuperação, mesmo depois de ter reduzido o juro básico para perto de zero. Disse ainda que o Fed deixará clara a intenção de manter a taxa baixa por um amplo período de tempo para combater a crise. Para Bernanke, a inflação não é a preocupação imediata. REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.