Bancos vão trocar caixas eletrônicos próprios por terminais da rede 24Horas

Fora das agências. Após um ano de negociações, grandes bancos de varejo do País vão substituir a maior parte das máquinas instaladas em lugares como shoppings e supermercados por terminais compartilhados; 11 mil caixas eletrônicos podem ser trocados

ALINE BRONZATI, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2014 | 02h03

Os grandes bancos do País conseguiram, após mais de um ano de discussões, chegar a um consenso sobre o compartilhamento dos caixas eletrônicos (ATMs, na sigla em inglês) fora das agências. A meta é em quatro anos substituir a maior parte das máquinas próprias existentes em locais como shopping centers, postos de gasolina e supermercados por terminais da rede Banco 24Horas, da empresa TecBan, que tem como acionistas Itaú Unibanco, Santander, Bradesco, Banco do Brasil, HSBC, Caixa e Citibank.

"O universo total possível de caixas eletrônicos a serem trocados é de 11 mil. A função da TecBan é levar o serviço onde todos os acionistas estejam interessados. Eventualmente, alguns pontos serão mantidos por estratégia particular de um ou outro determinado banco", explicou o diretor geral da TecBan, Jaques Rosenzvaig, em teleconferência para imprensa, realizada ontem.

Para os clientes, segundo ele, nada muda. Todos continuam com o direito, de acordo com a determinação do Banco Central, de fazer gratuitamente, em qualquer rede do banco ou prestadora de serviços, quatro saques e duas consultas.

A TecBan também anunciou que pretende dobrar o seu parque de caixas da rede Banco24Horas e alcançar 30 mil máquinas até 2020. Atualmente, são 15,3 mil e a meta é chegar até 16 mil neste ano.

O Brasil possui o quarto maior parque de ATMs do mundo. São 196 mil caixas eletrônicos, dos quais 14%,ou 27 mil, estão fora das agências. No mundo, essa fatia chega a 49%. Dos ATMs fora de agências no Brasil, os bancos respondem por 11,3 mil e a TecBan por 15,3 mil.

Rosenzvaig não detalhou, entretanto, os investimentos que a empresa fará na substituição dos caixas eletrônicos e ampliação da rede. "Vamos comprar de 15 mil a 20 mil ATMs até o fim da década", garantiu o diretor da TecBan.

O executivo também não quis comentar a redução de custos que os bancos terão ao compartilhar suas máquinas nem ao menos como foi equalizada a questão da participação de cada acionista nas receitas da TecBan. "Não posso responder pelos acionistas. Não vai haver nenhuma mudança material na governança e gestão da Tecban", resumiu Rosenzvaig.

Um dos impasses das discussões entre os bancos, conforme fontes, foram a divisão das receitas uma vez que não necessariamente os acionistas que detinham maior participação na TecBan respondiam pelo volume mais elevado de transações. Foi decidido, conforme uma fonte, que as tarifas serão proporcionais pelo menos temporariamente à quantidade de operações realizadas por um determinado banco.

O maior acionista da TecBan é o Itaú Unibanco com 25,94%, segundo balanço da empresa de 2013. Em seguida, vem o Santander com 20,82%, Bradesco com 16,31% e Banco do Brasil com 13,53%. Também são acionistas o HSBC (9,02%); Caixa Participações (5,95%); Citibank NA (4,51%); Banorte (em liquidação extra judicial) (2,78%) e Banco Citibank S/A (1,13%).

Longe da bolsa. Rosenzvaig afirmou ainda que a TecBan não considera fazer uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Essa era uma das possibilidades citadas por executivos do mercado para ampliar a escala da empresa e realizar os investimentos previstos. "O IPO não está na agenda da TecBan", resumiu.

No passado, os bancos já tentaram expandir a interligação de terminais, entretanto, o peso da marca de cada instituição impedia que a iniciativa avançasse. O Banco Central chegou a demonstrar, inclusive, interesse em assumir a mediação dos projetos de compartilhamento na tentativa de deslanchá-los.

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