AP Photo/Jacquelyn Martin
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Bancos veem menos altas de juros nos Estados Unidos em 2019

Projeções do Deutsche Bank e do Goldman Sachs apontam que o Federal Reserve deve elevar a taxa de juros apenas três vezes no ano que vem

Victor Rezende, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2018 | 18h41

A moderação na trajetória esperada da inflação nos Estados Unidos deve fazer com que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) abrande o ritmo de aumento nas taxas de juros daqui em diante, na avaliação de economistas do Deutsche Bank.

"Após um aumento na reunião de dezembro, prevemos, agora, mais três elevações nas taxas em 2019, abaixo das quatro projetadas anteriormente. Isso deve ser seguido por um último aumento em 2020 e um corte em 2021", comentaram Justin Weidner, Brett Ryan e Matthew Luzzetti, em relatório enviado para clientes.

Para os economistas, a inflação medida pelo núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) deve aumentar para 2,2% em 2019, se manter nessa faixa em 2020 e moderar para 2,1% em 2021. Além disso, o Deutsche Bank reduziu a projeção de crescimento dos EUA em 2019 em um décimo, de 2,5% para 2,4%, "dado o crescimento global mais lento e o recente aperto das condições financeiras". O banco alemão também diz ver um aumento nos gastos ficais em 2020, mas que não ajudará a expansão econômica americana no ano seguinte, quando o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 1,6%.

Alta menos intensa

A economia dos Estados Unidos continua crescendo acima da tendência, a taxa de desemprego continua abaixo das estimativas de longo prazo do Fed e o aumento gradual dos salários devem fazer com que a autoridade monetária do país continue elevando as taxas de juros, mas de forma menos intensa do que o projetado anteriormente.

Para o economista-chefe do banco Goldman Sachs, Jan Hatzius, isso pode se dever ao aperto das condições financeiras. "Afinal, se os mercados financeiros já entregaram maior restrição, o Fed simplesmente não tem muito trabalho a fazer para elevar as taxas de juros."

Em relatório enviado a clientes, Hatzius comentou que os dirigentes do banco central tendem a subestimar o vínculo entre os juros e os mercados, "mas achamos que eles respondem - e deveriam responder - às implicações econômicas de mudanças materiais e sustentadas nas condições financeiras, ajustando a trajetória da taxa de juros. Ainda não sabemos se a mudança recente será sustentada, mas ela é material".

O economista do Goldman Sachs disse, ainda, que as chances de um aumento nos juros em dezembro continuam em 90%, mas ressaltou que a possibilidade de uma nova elevação em março está, agora, pouco abaixo de 50%. "Vemos uma possível pausa em março e um retorno aos aumentos trimestrais em junho, que durariam até o fim de 2019", afirmou Hatzius. "Em contraste, a probabilidade de cortes nos juros - que provavelmente coincidiriam com uma recessão ou pelo menos com um grave susto de recessão - continua bastante baixa nos próximos um ou dois anos, em nossa opinião", apontou o economista.

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