Bancos voltam a procurar linhas de crédito para exportação

Depois da fraca demanda registrada nos dois últimos leilões de linhas de crédito para exportação na semana passada, os bancos voltaram a demonstrar apetite pelos recursos, na operação realizada hoje pelo Banco Central. A procura foi mais do que o dobro do valor disponível no leilão. Enquanto o BC ofereceu apenas US$ 50 milhões, as propostas apresentadas pelas instituições financeiras superaram US$ 123 milhões. Nos últimos dez dias, a autoridade monetária vinha oferecendo lotes diários de US$ 100 milhões e a demanda dos bancos, quase sempre, superava em duas vezes esse montante. No final da semana, a expectativa de mudança nas regras dos leilões fez o mercado se retrair enquanto aguardava uma posição oficial do BC. O resultado desse comportamento foi o fracasso de dois leilões realizados entre quinta e sexta-feira da semana passada, quando as propostas das instituições ficaram bem abaixo do total oferecido pelo BC.O Banco Central mudou as regras, dando mais flexibilidade para os bancos que participam do leilão repassarem os recursos aos exportadores. Com isso, instituições que precisam de linhas de crédito para atender seus clientes, mas estavam se sentido prejudicadas porque não tinham acesso aos recursos do BC, agora podem obter as linhas por meio dos 25 bancos autorizados a operar no mercado de câmbio em nome da autoridade monetária, os chamados dealers.Além disso, as instituições têm um prazo maior para fazer o dinheiro chegar na mão do exportador: em vez de cinco, agora são sete dias. O BC também decidiu fazer uma consulta informal ao mercado antes de definir o montante que será oferecido no leilão. Com isso, a autoridade monetária tenta calibrar melhor o volume de linhas para estimular a concorrência entre os bancos e conseguir taxas mais favoráveis nas operações. No leilão de hoje, a taxa de remuneração ficou em 4% ao ano e o prazo final é em fevereiro do ano que vem. Desde o último dia 23, quando fez o primeiro leilão de linhas, o BC já realizou nove operações desse tipo. No total, foram ofertados US$ 765 milhões, sendo que US$ 488,5 milhões foram repassados aos bancos. A demanda, no entanto, superou US$ 1 bilhão. Esses recursos vêm suprindo a escassez de créditos no exterior para os bancos que operam no Brasil. Na avaliação do presidente do BC, Armínio Fraga, já há sinais de retomada das linhas para o País, depois dos encontros que ele e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, tiveram com investidores em Nova York. Neste final de semana, Fraga e Mala iniciam uma nova rodada de conversas com investidores, desta vez, na Europa.

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