Banda larga começou do jeito errado, diz Semeghini

O deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP), que integra a Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, questionou hoje o fato de o ex-ministro José Dirceu ter prestado consultoria para um sócio da Eletronet, conforme denúncia feita hoje pelo jornal Folha de S.Paulo. "Mais uma vez, há uma mistura do que é público com o privado, do que é moral ou do que é legal. Acho que uma pessoa pública não deve dar consultoria num momento desse sobre esse assunto", disse Semeghini, afirmando que notícias como essas atrapalham o avanço da banda larga no Brasil.

GERUSA MARQUES, Agencia Estado

23 de fevereiro de 2010 | 19h14

Segundo ele, o governo começou a discussão do programa de expansão da banda larga do jeito errado, discutindo a necessidade de uma empresa estatal para gerir o processo e não do que o Brasil realmente precisa. O deputado defendeu que seja aberto na Câmara um espaço para discutir o assunto, principalmente a movimentação com as ações da Telebrás na Bolsa de Valores. "Queremos saber o que houve de fato, quem se beneficiou com o aumento dessas ações", afirmou.

O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, disse que a reportagem publicada pela Folha de S.Paulo politiza o fato. "Não é uma matéria técnica", disse o executivo, acrescentando que o ambiente de discussão desse assunto não é empresarial e sim político.

O presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, não quis fazer comentários sobre o tema, dizendo desconhecer as informações da reportagem. Ele disse apenas achar interessante que o governo utilize as fibras ópticas de que dispõe e que pertencem a empresas estatais.

O deputado e os presidentes da Oi e da Telefônica fizeram as declarações depois de participarem de seminário que discutiu o desafio da banda larga.

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse hoje que as denúncias feitas pelo jornal Folha de S.Paulo de que a possível reativação da Telebrás e a utilização das redes de fibras ópticas da Eletronet teriam beneficiado o ex-ministro José Dirceu precisam ser "depuradas e estudadas detalhadamente para saber se têm consistência". Ele disse que não tem nenhuma informação a respeito deste caso e que não diz respeito ao Ministério das Comunicações.

"Até porque, no projeto de banda larga que nós fizemos no Ministério, eu imagino que não tenha uma única vez sido citada a empresa Telebrás. Então, não é da nossa competência", disse o ministro, depois de participar de cerimônia de apresentação do novo procurador-geral da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Marcelo Bechara.

Hélio Costa avaliou que a denúncia não deverá atrapalhar a implantação do Plano Nacional de Banda Larga. Segundo ele, está havendo muita especulação. Ele disse esperar que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) possa atuar firme nesta questão para investigar as sucessivas altas que as ações da Telebrás vêm tendo na Bolsa de Valores.

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