Banda larga popular ainda é para poucos

Net tem cerca de 100 mil clientes em pacote com benefício tributário; Telefônica contabiliza somente 500 assinantes

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2010 | 00h00

O governo de São Paulo lançou em outubro do ano passado o Programa Banda Larga Popular, que reduziu de 25% para zero a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercados e Serviços (ICMS) de planos de banda larga com preço máximo de R$ 29,80 por mês.

Mas, passados nove meses do lançamento, ainda são poucos os beneficiados. A Net é a empresa que mais conseguiu clientes para esse plano, com cerca de 100 mil assinantes. A Telefônica, que optou por atender esses clientes com a tecnologia sem fio WiMesh, está com somente 500 assinantes. Nenhuma operadora celular aderiu ao programa.

"Os números da Net demonstram que esse plano tem aceitação, o que é um fato positivo", disse Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. "Eu acho que o decreto precisa ser aperfeiçoado em alguns pontos."

Tude sugeriu que o governo permita que as celulares possam cobrar o modem do cliente da banda larga popular, o que hoje é proibido pelas regras do programa. Ele também disse que poderia ser encontrada uma solução para que a Telefônica possa usar sua rede de telefonia fixa para prestar o serviço.

Barreira. Houve um desentendimento entre o governo e a Telefônica logo após o anúncio do programa. A operadora planejava oferecer a internet popular somente para quem fosse assinante do telefone fixo, mas o governo não aceitou. A Telefônica apontou questões técnicas, argumentando que conseguiria garantir a entrega do serviço somente para quem já tivesse a infraestrutura instalada.

O pacote de banda larga popular da Net oferece velocidade de 512 quilobits por segundo (kbps). Quem assina um combo, com os canais abertos de TV e o telefone, paga R$ 39,90 e tem o dobro de velocidade, com 1 megabit por segundo (Mbps).

"A banda larga popular já existe em São Paulo", disse Rodrigo Marques, diretor executivo de Estratégia e Gestão Operacional da Net. O Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), proposto pelo governo federal, prevê pacotes com preço de R$ 29 a R$ 35 e velocidades entre 512 kbps e 784 kbps. Em São Paulo, a única medida foi o corte de impostos, não houve recriação de empresa estatal, como está fazendo a União.

O microempresário Adelson Araújo da Silva, de 47 anos, assinou a banda larga popular da Net, com TV e telefone. Ele tem um computador portátil, e antes de assinar o pacote, se conectava com o sinal de Wi-Fi de um vizinho, ou usava a internet no escritório.

"Eu e minha esposa usamos mais para pesquisa", explicou Silva, que tem dois filhos. "As crianças usam para pesquisa e Orkut, que não tem jeito. Eles também usam para jogos." O microempresário instala e dá manutenção em equipamentos de ar-condicionado.

Potencial. Quando o programa estadual foi anunciado, havia uma estimativa de que, em São Paulo, poderiam ser beneficiadas cerca de 2,5 milhões de residências, que têm computador sem internet ou com conexão discada.

"Para a gente, o tema da banda larga popular não se resume ao programa do governo", disse Fábio Bruggioni, diretor executivo de Clientes Residenciais da Telefônica. "No primeiro semestre, 86% de nossas vendas de banda larga foram para as classes C e D."

Para oferecer o pacote com isenção de impostos, a Telefônica iluminou com tecnologia sem fio WiMesh 3,5 mil domicílios em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo. "Temos cerca de 500 clientes conectados. Até o fim do ano, a rede sem fio cobrirá 40 mil residências, com foco em baixa renda."

Segundo Márcio Carvalho, diretor de Produtos e Serviços da Net, houve um temor, no início, de canibalização da base atual de clientes. Mas, com a demanda crescente por velocidade, isso não aconteceu.

"A necessidade de banda tem aumentado muito", disse Carvalho. "O assinante consome hoje sete vezes mais capacidade do que consumia em 2005." A empresa lançou recentemente pacotes com 50 Mbps de velocidade. "O limite técnico atual é de 300 Mbps", disse o executivo.

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