Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Bandeira Elo tenta se sofisticar e será aceita no exterior

Para concorrer com gigantes estrangeiras, empresa aposta em 'generosidade' na hora de conceder milhas

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2015 | 02h02

Quatro anos após o lançamento, a bandeira Elo - projeto conjunto do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco - quer agora ir atrás do cliente de alta renda. Para atingir essa parcela da população, que tem mais dinheiro para gastar e também exige mais em termos de serviços e benefícios, a empresa decidiu ampliar seu foco de atuação.

O primeiro passo para atingir a alta renda é tornar o uso do cartão, ainda hoje restrito ao território nacional, disponível em todo o mundo. A Elo será aceita nas máquinas da Discovery, as mesmas do cartão Diners, a partir do primeiro trimestre de 2016. Com essa parceria, os clientes Elo poderão usar 1,7 milhão de caixas eletrônicos e comprar em 35 milhões de estabelecimentos fora do Brasil.

A exemplo do que fazem as concorrentes internacionais, a Elo também está criando segmentação para a alta renda. O cartão Grafite será equivalente à linha Platinum das demais bandeiras e será oferecido a clientes com renda mensal a partir de R$ 7 mil. Já o cartão Nanquim será equivalente ao Black, da Mastercard, e exigirá renda mínima de R$ 15 mil.

Como a distribuição dos cartões será feita pelos bancos, poderá haver uma flutuação em relação à renda exigida de acordo com cada instituição. Os bancos também poderão oferecer benefícios próprios para os seus clientes da Elo. No caso do Bradesco, uma sala vip no Aeroporto de Guarulhos vai receber clientes da classificação Nanquim.

Segundo o diretor de comunicação e marketing da Elo, Luis Cassio de Oliveira, a empresa também está corrigindo os problemas de uso que o cartão ainda tinha por aqui. Ainda em outubro, os cartões Elo passarão a ser aceitos nas máquinas da Getnet, credenciadora do Santander que hoje tem cerca de 8,5% do mercado brasileiro, dominado por Cielo e Rede.

Domínio. A Elo sabe que é difícil desafiar o domínio de Visa e Mastercard, as líderes de mercado. Hoje a terceira principal bandeira do País, a Elo tem 24 milhões de cartões de crédito emitidos e 7% do mercado brasileiro.

O consultor em marcas Eduardo Tomya diz que, para vencer essa barreira, especialmente na alta renda, a empresa terá de agregar serviços criativos. "Hoje, os benefícios dos cartões no Brasil estão aquém do ideal."

No que diz respeito a serviços, afirma o executivo de marketing da Elo, a empresa definiu uma estratégia agressiva de benefícios: "Vamos oferecer mais milhas que a concorrência." 

 

Mais conteúdo sobre:
crédito

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.