Banespa e Cesp: ações em alta?

A definição da data dos leilões e do preço mínimo de venda do Banespa e da Cesp na semana passada provocou uma alta no preço das ações dessas companhias. As ordinárias (ON, com direito a voto) do Banespa subiram 15,01% em uma semana, passando de R$ 47,01, no dia 29 de setembro, para R$ 54,11, na sexta-feira. As preferenciais (PN, sem direito a voto) avançaram 9,26%, de R$ 54,00 para R$ 59,00. Já os papéis ON da Cesp obtiveram alta de 18,07%, saltando de R$ 18,42 para R$ 21,75, enquanto os PN tiveram ganho de 9,95%, de R$ 20,10 para R$ 22,10.Porém, o potencial de alta dessas ações daqui para a frente é bastante questionado por especialistas, que não chegam a um consenso. A maioria evita qualquer prognóstico. Quem é favorável à compra das ações aposta num bom ganho no longo prazo. "Há uma oportunidade de compra para as ações dessas empresas, que sofreram com a baixa da bolsa nos últimos meses", diz a analista de investimentos da DC Corretora, Aireslene Costa Santos.Para o gestor de Fundos do Deutsche Bank, Alexandre Vasarhelyi, devem surgir liminares contra as privatizações, o que provocaria volatilidade nos preços. "Mas, dependendo da expectativa de qualidade profissional de quem arrematar as empresas e do tamanho do ágio, a compra pode compensar", argumenta. Na contramão desses raciocínios, o gestor de Renda Fixa e Variável do BicBanco, Eduardo Austregesilo, acha que as ações das duas empresas já subiram demais e devem ter ágio baixo. Desta forma, em sua avaliação seria uma boa hora de vender ações do Banespa, sensível a qualquer notícia ruim.Segundo o diretor de Renda Fixa e Variável do CCF Brain, Lúcio Graccho, os papéis realmente tiveram uma valorização acentuada nos últimos dias. Ele condiciona a perspectiva de ganhos futuros a um noticiário mais claro sobre os leilões. "A baixa dos últimos meses criou um cenário positivo para as ações com o anúncio dos leilões, mas elas vão precisar de novos impulsos para sustentar a alta", pondera.ParalisaçãoOs funcionários do Banespa tentarão mais uma vez paralisar o leilão de privatização do banco, marcado para 20 de novembro. Esta é a terceira vez que o governo fixa uma data para a venda. Na última tentativa, o leilão havia sido marcado para 18 de julho, mas teve de ser revisto por causa das liminares que suspenderam o processo por quatro meses.O Banespa, um dos maiores bancos do País, está sob intervenção desde dezembro de 1994 e foi federalizado em 1997. Sua venda poderá redefinir o ranking dos bancos privados brasileiros, hoje liderado pelo Bradesco, ou abrir espaço para a entrada de um forte concorrente estrangeiro. O preço fixado (mínimo de R$ 1,850 bilhão) ficou perto do máximo esperado pelo mercado, de R$ 1,5 bilhão. Para o leilão, existem nove bancos habilitados, incluindo Bradesco e Unibanco. A Cesp, cujo preço mínimo de venda, marcada para 6 de dezembro, é de R$ 1,739 bilhão, também foi superior ao estimado pelo mercado (R$ 1,5 bilhão). São seis os grupos interessados na aquisição da geradora, dentre eles EDP, AES e Duke Energy.

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