Banespa tem maior rentabilidade das Américas em 2001

O Banespa, controlado pelo grupo financeiro espanhol Santander, é o banco de maior rentabilidade das Américas. Cravou 36,4% sobre o patrimônio líquido em 2001. A conclusão é de um estudo feito pela Economática. Dentre os cinco mais rentáveis da região continental no ranking figuram, ainda, o Itaú (2º lugar) e o Bradesco (5º). Em outro levantamento, a consultoria mostra que a rentabilidade mediana dos bancos no Brasil, de 22,2%, é quase três vezes e meia superior ao das empresas não-financeiras no País, de parcos 6,8%.O estudo regional da consultoria foi montado com base em 30 bancos com patrimônio líquido acima de US$ 1 bilhão. Por ordem de rentabilidade, depois do Banespa, aparecem o Itaú (31,5%), o americano Providian Financial (30,7%), o mexicano Santander Serfin (26%) e o Bradesco (22,2%). Na décima-nona colocação vem o Unibanco (16%) e na vigésima-oitava, o Banco do Brasil (12,4%). Para as instituições cujo último balanço era o de setembro, os números foram relativos aos 12 meses fechados no período.Segundo o presidente da Economática, Fernando Exel, a performance do Banespa não reflete exatamente uma transformação "da água para o vinho" da atividade, mas, principalmente, a interrupção de efeitos de lançamentos extraordinários do passado. "O banco teve um enorme prejuízo em 2000, depois de um lucro minúsculo em 1999. Agora, acho que ele está na sua forma normal", disse Exel. No ano retrasado, a rentabilidade sobre o patrimônio do Banespa fechou em negativos 102,5%. Já o Itaú havia batido 27,7% e o Bradesco, 21,5%.O Banespa foi comprado em novembro de 2000 por R$ 7,05 bilhões, quantia considerada exagerada, à época, por analistas e executivos do setor. No ano passado, entretanto, o banco lucrou R$ 1,089 bilhão, o que representou perto de 80% do lucro líquido de R$ 1,3 bilhão do Grupo Santander no País. Segundo Exel, é improvável que um banco americano que ainda não divulgou o balanço do último trimestre ultrapasse o Banespa, dada a distância de quase cinco pontos porcentuais para o terceiro lugar no ranking da rentabilidade continental.Com base em outro estudo da consultoria, a conclusão é de que os bancos nadam de braçada no Brasil quando o assunto é a rentabilidade sobre o patrimônio líquido. A comparação do lucro sobre o patrimônio permite ver se o lucro é bom ou não, conforme o tamanho da empresa. A Economática comparou os resultados dos cinco bancos brasileiros (Banespa, Itaú, Bradesco, Unibanco e Banco do Brasil) com 40 instituições financeiras americanas. Enquanto a mediana da rentabilidade dos bancos americanos foi de 16,2%, a dos brasileiros foi seis pontos porcentuais superior.A mesma comparação foi feita dentro do grupo das 30 companhias brasileiras com patrimônio superior a US$ 1 bilhão, das quais cinco eram os mesmos bancos. A rentabilidade mediana destas instituições superou em muito a taxa das empresas não-financeiras: 22,2% a 6,8%. A explicação para o resultado está nas elevadas taxas de juros, que permitem ganhos aos bancos, e na desvalorização cambial, que deu resultado favorável aos bancos que estavam bem posicionados na moeda americana."Os bancos se beneficiaram com estas duas coisas, que prejudicam as empresas não-financeiras. O aumento do endividamento sufoca as empresas", argumentou Exel. Para o professor de Economia Brasileira da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Luiz Fernando Rodrigues de Paula, os juros altos geram oportunidade de ganhos elevados para os bancos. Um trabalho de pesquisa feito pelo economista na Universidade de Oxford mostra que a eficiência dos bancos brasileiros aumentou com a entrada dos bancos estrangeiros no mercado. "Os grandes bancos privados não só sobreviveram como atuaram como jogadores pesados, até com certa superioridade comparado aos estrangeiros, em agressividade das apostas no crescimento orgânico ou via fusões, e na própria eficiência", analisa o economista. O aumento da eficiência foi boa para o desempenho dos bancos, mas, na sua avaliação, "ainda não apareceu de forma clara ao preço dos produtos ofertados". "Só vai haver competição de fato quando houver juros mais baixos, além do ambiente estável. Aí sim a competição começará para valer, o que ainda não aconteceu", avalia o economista da UERJ.

Agencia Estado,

05 de março de 2002 | 18h49

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