Banestes reage após venda frustrada ao BB

Carteira comercial do banco capixaba cresceu 80% desde o ano passado e pode contribuir na retomada depois de anos de prejuízo

Alexandre Rodrigues / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 00h00

Depois da frustrada negociação de venda para o Banco do Brasil (BB) e a primeira queda no seu lucro em seis anos, o Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes) tenta recuperar o fôlego. Segundo o presidente do banco, Roberto Penedo, a carteira comercial cresceu 80% desde o ano passado e pode ajudar a retomar o ritmo de crescimento que vinha marcando a recuperação do banco estatal capixaba desde 2003, após anos de prejuízo.

O lucro líquido de R$ 131,1 milhões em 2009 representou uma queda de 18,7% em relação a 2008. Mas, no primeiro semestre deste ano, o resultado ficou em R$ 74,64 milhões, 0,28% superior ao lucro líquido do mesmo período de 2009. Já o patrimônio líquido avançou 15,31%, atingindo R$ 719,42 milhões.

Mesmo modesto, o resultado é visto por Penedo como sinal de recuperação. Ele não faz previsões, mas diz ver condições favoráveis para um desempenho melhor no segundo semestre, com possibilidade de retomar o patamar de 2007 e 2008, quando o lucro do banco ficou em torno de R$ 160 milhões.

"Fomos muito afetados pela crise porque o Espírito Santo tem a economia de maior abertura externa do País. O PIB capixaba foi o segundo mais afetado. Nossos clientes têm relação muito forte com o setor exportador, que só agora se recupera, e houve aumento significativo na inadimplência", conta Penedo.

Negociação com o BB. O executivo, no entanto, aponta como principal revés para o banco a indefinição em torno da negociação com o BB, iniciada em fevereiro e que se arrastou até junho do ano passado. A compra chegou a ser dada como certa pelo BB, que teve sucesso em outras negociações, como a aquisição da Nossa Caixa.

A discussão com o Banestes empacou no preço. "A oferta do BB não chegou nem perto da nossa expectativa. Havia uma diferença muito grande em relação às nossas avaliações. Não teve segunda rodada. Quando não aceitamos, eles saíram da mesa", conta Penedo, sem revelar as cifras discutidas. No ano passado, o governador Paulo Hartung (PMDB) indicou que esperava mais de R$ 1 bilhão.

Hartung chegou a discutir o assunto diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem sucesso. "Nesse período, não estávamos totalmente perdidos, mas ficamos sem norte. A ação comercial foi paralisada, potenciais clientes se afastaram. Isso afetou o resultado até o início deste ano", diz Penedo.

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