Bank of America aciona ex-donos do Banco Liberal

O Bank of America entrou com uma ação, hoje de manhã, na Justiça norte-americana contra os ex-donos do Banco Liberal, entre eles o ex-presidente do Banco Central, Antônio Carlos Braga Lemgruber e seus ex-sócios Aldo Floris e Lauro Alberto De Luca sob a acusação de terem desviados, via empréstimos e outras operações ilegais, cerca de US$ 38 milhões. A ação judicial também envolve diversas instituições e empresas no Brasil e no exterior que o Bank of America acredita serem afiliadas por Lemgruber e usadas no alegado esquema para fraudar as contas do Liberal. As operações ilegais foram descobertas pelo Bank of America em abril do ano passado, quando foi comcluída a compra total das ações do banco Liberal. Na ação, o Bank of America acusa Lemgruber de ter usado várias empresas que ele controlava, além de utilizar procedimentos contábeis impróprios, para acumular cerca de US$ 38 milhões via operações ilegais de empréstimos e de limites de saldos negativos. Lemgruber é acusado ainda de tentar esconder tais transações fraudulentas. O texto do processo também diz que Lemgruber, Floris e De Luca induziram fraudulentamente o Bank of America a pagar mais pelas ações do Banco Liberal e do Liberal Banking Corp. do que a participação acionária de fato valeria quando toda a operação foi concluída. O Bank of America comprou o capital total do Liberal em três parcelas. Na primeira série da aquisição, o banco norte-americano comprou 51% do capital em janeiro de 1998. Depois, em março de 2000, o Bank of America adquiriu outros 19%. E, finalmente, em abril de 2001, o banco norte-americano comprou os remanescentes 30% do capital do Liberal. No total, o Bank of America desembolsou cerca de US$ 250 milhões. A ação foi impetrada na cidade de Nova York, mais especificamente na Corte do Distrito Sul de Nova YOrk, que, segundo o assessor de imprensa do Bank of America, Jeff Hershberger, é uma corte bastante familiarizada com disputas comerciais internacionais. "Além disso, todas as partes envolvidas concordaram quando da assinatura do acordo de compra de ações do banco Liberal que, se houvesse qualquer disputa judicial decorrente da compra do Liberal, essa ação seria julgada pela Corte Federal em Nova York", explicou Hershberger à Agência Estado. Ele enfatizou que a ação contra os ex-donos do Liberal não irá acarretar qualquer prejuízo ou perdas para os clientes corporativos e de varejo (pessoa física) do banco no Brasil. "E os resultados do Bank of America não serão afetados pelos recursos desfalcados por Lemgruber e pelas empresas por ele controladas", disse Hershberger. Além de pedir o ressarcimento dos US$ 38 milhões, o ação impetrada pelo Bank of America exige a compensação financeira, não-especificada no processo, pela fraude nas transações de compra das participações acionárias dos ex-donos do Liberal em 2000 e 2001 e também pede compensação pelos custos e perdas decorrentes do processo judicial. Antes de vender o Liberal, Aldo Floris era o sócio majoritário, detendo 75% do capital do Liberal. Lemgruber tinha 17% do controle acionário e Lauro Alberto De Luca tinha 8%. As empresas citadas no processo como sendo controladas por Lemgruber e tendo participação nas operações ilegais que resultaram no desfalque de US$ 38 milhões são: Goldbeach Holdings Corp.; Powerstone Corp.; Timber Springs Corp.; Tiger International Overseas Corp.; Menocal Capital Management; American Versailles Fund; Santa Escolastica, Inc.; Blue Water Capital; Agropastoril Aventura Ltda; Delaware Asset Management Adm. Financeira e Consultoria; Rio Aventura, Inc.; SP Funds LLC; e Interbrett Investec Group.

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