Banqueiros alertam sobre riscos em países emergentes

O Institute of International Finance (IIF), entidade formada por 340 instituições financeiras privadas de todo o mundo, afirmou hoje que as condições de mercado que beneficiaram os mercados emergentes nos últimos dois anos estão terminando. Apesar de elevar a sua previsão de fluxos de capitais para os emergentes em 2005 de US$ 276 bilhões para US$ 311 bilhões - um volume apenas inferior ao recorde atingido antes da crise asiática em 1997 - o IIF manifestou preocupação com as perspectiva desses países diante da alta dos juros nos Estados Unidos, não descartando inclusive uma crise de liquidez sistêmica (redução no volume de negócios), caso eles não se preparem para um cenário mais adverso.Para o presidente do Citibank e vice-presidente do IIF, William Rhodes os riscos para os países emergentes podem estar sendo subestimados e "devem ser encarados seriamente". Ele não descartou a ocorrência de uma crise de liquidez nos moldes das que ocorreram na década passada na Ásia. "É preciso haver uma vigilância entre os credores em relação às condições dos riscos que eles estão assumindo diante das mudanças na situação do mercado", disse.Rhodes salientou que o Federal Reserve dos Estados Unidos elevou novamente sua taxa de juros no dia 22 de março, para 2,75%. "Nós já vimos recentemente algum alargamento dos spreads (aumento dos prêmios) nos mercados emergentes e, se essa tendência se acelerar, e se a experiência passada serve como referência, então o impacto nos mercados poderá ser substancial e as economias mais vulneráveis poderiam enfrentar desafios significativos no futuro", disse. "Crises fazem parte da vida, mas espero que as próximas sejam menos sérias."Elogios ao BrasilOs diretores do IIF evitaram especificar quais os países que ficariam mais vulneráveis num cenário de maior aversão ao risco entre os investidores, mas alertaram que o impacto entre os emergentes poderia ser sistêmico, ou seja, abrangente. Rhodes e outros banqueiros presentes elogiaram a política econômica do governo brasileiro, mas aconselharam que o processo de reformas no País não pode ser paralisado. "Países como o Brasil devem continuar o seu processo de reformas e, se possível aprofundá-lo", disse o presidente do Citibank.O diretor-gerente da entidade, Charles Dallara, disse que os mercados emergentes estão se aproximando de uma "mudança crucial" e devem se preparar para tempos mais difíceis. Segundo ele, os recentes sinais das autoridades monetárias dos Estados Unidos indicam que a preocupação com a inflação poderá resultar numa alta dos juros. Segundo ele, a elevação dos preços do petróleo e a vulnerabilidade do dólar também representam riscos para a estabilidade dos mercados.O presidente do Banco Itaú e também vice-presidente do IIF, Roberto Setubal, foi o único participante da entrevista à imprensa que demonstrou uma maior tranqüilidade com as perspectivas para os emergentes. "Muitos países como o Brasil elevaram suas reservas, adotaram um câmbio flutuante e estão preparados para enfrentar tempos mais difíceis", disse Setúbal.

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