JF Diorio/Estadão / Daniel Teixeira/Estadão / Edgar Garrido/Reuters
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Banqueiros garantem que R$ 40 bilhões para folhas de pagamento chegarão às pequenas empresas

Serão R$ 40 bilhões para financiar folhas de pagamentos de empresas com faturamento anual de até R$ 10 milhões nos próximos dois meses

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2020 | 13h48

Os presidentes dos bancos Bradesco, Itaú Unibanco e Santander Brasil garantem que os R$ 40 bilhões anunciados nesta sexta-feira, 27, pelo governo para financiar folhas de pagamentos vão chegar às pequenas e médias empresas no intuito de manter os empregos em meio à crise do coronavírus. Ao aderirem à criação de um fundo emergencial, irão, juntos, arcar com 15% desta conta, em linha com o intervalo antecipado ontem pelo Estadão/Broadcast, que revelou que essas instituições ofereceram ficar com 10%, mas aceitavam até 20%. 

Serão R$ 40 bilhões para financiar folhas de pagamentos de empresas com faturamento anual de até R$ 10 milhões nos próximos dois meses. O objetivo, conforme os bancos privados, é garantir a sobrevivência dos pequenos negócios e, consequentemente, preservar postos de trabalho no segmento que é o maior gerador de empregos da economia.

A linha receberá 85% de funding do Tesouro Nacional, recursos que serão aportados em um fundo a ser administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e os 15% dos próprios bancos, que serão responsáveis pelo repasse dos recursos a seus clientes.

“Este é mais um passo que os bancos privados de varejo, em parceria com o governo federal, dão no sentido de contribuir para proteger a economia brasileira neste ciclo de crise gerado pela pandemia do coronavírus", avaliou o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, em nota à imprensa. "Temos, os três bancos, uma atuação de abrangência nacional e isso nos dá condições de abrigar a folha de pagamento de grande parte do conjunto das micro e pequenas empresas do País, conferindo apoio à previsibilidade e estabilidade social nesse período de transição”, acrescentou.

Para o presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, a medida dará fôlego para milhões de empreendedores neste momento de dificuldade econômica. “Este é um exemplo claro de como parcerias entre o setor público e o setor privado podem contribuir para o bem-estar da sociedade... A reação à crise demanda união e solidariedade, o que mais uma vez demonstramos com esta iniciativa", avaliou o executivo.

O presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, enfatizou a estrutura do financiamento para ajudar as pequenas e médias empresas, unindo os setores público e privado. “Esta estrutura de financiamento é um exemplo feliz da importância de termos o estado brasileiro trabalhando com o setor privado. Faremos com que o capital de giro chegue às pequenas empresas com o único propósito de manutenção de empregos, de forma a manter a atividade econômica viável e a permitir o retorno do crescimento assim que possível", garantiu.

As pequenas e médias empresas que acessarem a linha anunciada hoje terão seis meses de carência e o pagamento parcelado em até 36 meses, com uma taxa de juros equivalente ao CDI, ou seja, sem cobrança de spread. A medida foi anunciada após negociações praticamente diárias entre a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e o governo Bolsonaro, conforme revelou na quinta-feira, 26, o Estadão Broadcast, em meio a queixas crescentes de empresas por conta da demora da resposta em meio à crise do coronavírus

"Não faremos o que foi feito há 10 anos, quando Caixa precisou de R$ 40 bilhões 

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, disse que, mesmo com a crise econômica causada pela pandemia do coronavírus, a instituição não oferecerá empréstimos sem garantias. "Não faremos o que foi feito há 10 anos, quando a Caixa precisou de injeção de R$ 40 bilhões do Tesouro Nacional. Vamos ajudar a população e as empresas, mas sem comprometer a Caixa", afirmou, em coletiva no Palácio do Planalto.

Ele disse que o banco não financiará empresas com quem não tenha relação sem garantias e que os atuais clientes da Caixa terão acesso mais rápido a empréstimos, já que a instituição já tem seus dados e histórico.

Guimarães acrescentou que o programa de financiamento da folha de pagamentos de pequenas e médias empresas não tem a participação da Caixa, mas que a instituição poderá entrar se for preciso. Ele disse que o banco tem a maior base de capital e o maior volume para emprestar porque mudou o público, que era de grandes empresários. "A Caixa está focando em outros segmentos, mas sempre ajudaremos se for necessário. A Caixa era focada em grandes empresas, mas reduzimos isso", completou. O presidente completou que a Caixa vem comprado "créditos performados", como recebíveis de máquinas de pagamento. "Com isso, esses adquirentes voltam a ter caixa para continuar operações", completou. 

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