Banrisul pode ser novo alvo do Banco do Brasil

O presidente do Banco do Brasil, Antônio Lima Neto, defendeu ontem o crescimento do banco como forma de garantir a manutenção da liderança no mercado, em café da manhã com deputados da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara. Segundo ele, o banco precisa ganhar musculatura para competir com os concorrentes privados que adquiriram uma série de instituições financeiras na última década.Dentro dessa estratégia, Lima Neto argumentou que não sobram muitas instituições públicas que, eventualmente, podem ser incorporados pelo BB. Nesse ponto da conversa, o presidente do banco citou o gaúcho Banrisul. A instituição é controlada pelo Estado do Rio Grande do Sul, governado por Yeda Crusius (PSDB).Em Porto Alegre, a idéia de repassar o controle do Banrisul tem poucos adeptos. Oficialmente, o discurso é que o banco vai continuar público. Yeda diz, que a estratégia é reforçar o banco. Mas há quem entenda que o processo de reorganização do Banrisul feito nos últimos meses tem como objetivo pedir um preço mais alto em uma eventual venda. O auge do trabalho foi no ano passado, quando o Estado vendeu ações do banco e captou R$ 2 bilhões.O destino do dinheiro, no entanto, mostra que a necessidade de caixa do governo prevaleceu sobre a possibilidade de ajudar o banco. Do valor captado, R$ 800 milhões foram para o Banrisul e R$ 1,2 bilhão reforçaram fundos previdenciários dos servidores estaduais.O BB nega qualquer novo entendimento com outros bancos públicos. Atualmente, há conversas com o Besc, Banco do Estado de Piauí (BEP), Banco de Brasília (BRB) e Nossa Caixa.Nossa CaixaO BB espera chegar até o fim do ano a um entendimento com o governo de São Paulo para incorporar a Nossa Caixa. A sinalização foi dada ontem por Lima Neto, durante o café com os deputados. Na reunião, Lima Neto disse ainda, segundo relato de participantes, que os planos de expansão do BB passam pela incorporação de outras instituições estaduais, além do banco paulista, citando o gaúcho Banrisul como um potencial alvo no futuro.A confiança do presidente do BB de que o negócio com a Nossa Caixa será fechado este ano é explicada, principalmente, pelas demonstrações dadas pelo governo paulista de que estaria inclinado a optar pela venda direta, em vez de promover um leilão. Na reunião, segundo os participantes, Lima Neto afirmou que a opção pela venda direta se deve ao fato de que ?a privatização poderia expor o governo paulista a um fracasso semelhante ao da venda da Companhia Energética do Estado de São Paulo (Cesp)?.

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