Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Bar de grife é o novo front das cervejarias

Franquias de varejo se espalham pelo País e garantem aumento das vendas à indústria

Marili Ribeiro, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2011 | 00h00

Um novo modelo de botequim - que recupera o velho clássico brasileiro, porém revestido com doses de glamour - está chegando ao mercado por impulso das grandes cervejarias. É mais um passo da indústria de bebidas no varejo, após incentivar franquias como Cervejaria Devassa e Bar Brahma.

Em parceria com a Ambev, a operadora de franquias Francap mantém há quatro meses no bairro de Vila Madalena, em São Paulo, o espaço Seu Boteco. Se a investida for bem-sucedida, outras unidades serão abertas. A Cervejaria Schincariol, por seu lado, prepara a abertura do Boteco Devassa, uma versão menor e mais aconchegante da Cervejaria Devassa, que já tem 30 unidades no Brasil. Ou seja, o novo front da guerra das cervejarias se dá no varejo com grife.

O incentivo às franquias que vendem exclusivamente chope ou cervejas da marca parceira tem sido uma boa forma de contornar a condenação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aos programas que inibiam a comercialização de outras marcas nos pontos de venda, considerada concorrência desleal. A Ambev, que tem 70% do mercado, chegou a ser punida por prejudicar o crescimento da concorrência por meio de um programa de fidelização e bonificação com mais de 80 mil donos de bares.

A intensa briga pelo que o consumidor derrama no copo ficou, assim, ainda mais sofisticada. E, por tabela, ganhou investidores. Afinal, somente na gigante Ambev há 5 mil empreendedores, com ficha de cadastro pré-aprovada, à espera de uma oportunidade de se tornar mais um franqueado do portfólio da empresa.

Hoje o negócio de franquias da Ambev já registra 900 operações, entre bares, quiosques, carrinhos e lojas que vendem chope. Ao todo, esse universo de franqueados movimentou cerca de R$ 300 milhões em vendas ao consumidor no ano passado.

Zero grau. "A montagem de bares requer mais cuidado. Prestação de serviço para reter clientes precisa trazer inovação. Há sete anos não tínhamos tecnologia para garantir mimos que temos hoje. Uma chopeira conseguia, no máximo, gelar a cinco graus. Agora, entregamos na mesa do consumidor a zero grau. Para os novos parceiros do Bar Brahma foram desenvolvidos cardápios de comidinhas criadas especialmente pelo chef Olivier Anquier", diz João Paulo Badaró, diretor de Novos Negócios da Ambev e responsável pelas operações de franquia da empresa.

A operação Bar Brahma começou sem muito alarde e já foram abertas três unidades do original Bar Brahma, aquele que se consagrou na esquina da Ipiranga com a São João, eternizada na canção de Caetano Veloso. Existe mais um em São Paulo, um em Brasília e outro em Curitiba. Até o fim do ano, serão mais seis. Um na capital, quatro no interior de São Paulo e outro no Rio.

"É um projeto vencedor que, em 2012, chegará ao Nordeste. Mapeamos o País em cinco regiões para essa operação e já temos parceiros definidos. Em São Paulo, vamos seguir com os sócios Álvaro Aoas e Luis Lacerda, que reabriram o Bar Brahma em 2001, depois de ter ficado dez anos fechado."

Enquanto a franquia Bar Brahma avança lenta e gradualmente - até porque exige investimento em torno de R$ 1,5 milhão para espaços que abriguem entre 400 e 500 pessoas, com capacidade para oferecer conteúdo musical -, surgiu a ideia de uma nova frente de franquias de bares. Menores, mais charmosos e para um público de maior poder aquisitivo. Nasce assim o Seu Boteco, com espaço para até 180 pessoas, investimentos de R$ 600 mil e venda de cervejas premium do portfólio da Ambev, entre marcas como Stella Artois, Norteña, Leffe e Franziskaner. Vencida a fase experimental, o Seu Boteco deve seguir o caminho do famoso Bar Brahma.

A Ambev tem ainda duas outras iniciativas na área varejista, ainda incipientes. No caso da franquia Bar da Boa, no bairro boêmio da Lapa, no Rio, que nasceu em razão da propaganda da marca Antarctica, Badaró diz que se trata se ação isolada, sem intenção de expansão.

Já a inauguração do Bar Bohemia no segundo semestre, em Petrópolis, junto à fábrica onde também haverá um museu, pode dar frutos em novos endereços. O modelo é similar ao criado pelos holandeses da Heineken, que desde o ano passado são os novos competidores da Ambev no Brasil, após comprarem a Cervejaria Kaiser da mexicana Femsa. Em Amsterdã, eles mantêm loja-conceito e restaurante que é sucesso de público e oferece até laptop com logotipo da empresa.

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