Barato, tablet indiano tem alta procura

Cerca de 340 mil unidades do Aakash foram reservadas antes do lançamento, em dezembro

NOVA DÉLHI, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h03

O indo-canadense Suneet Singh Tuli, presidente da companhia britânica Datawind, que fabrica na Índia o tablet mais barato do mundo, disse possuir 340 mil reservas do produto, mas ambiciona chegar a 3,5 milhões de unidades. O Aakash - "céu", em sânscrito - é subvencionado pela administração indiana e inicialmente destinado a universitários pelo preço de US$ 22 (cerca de R$ 41). Mas Tuli almeja uma revolução nas comunicações na Índia, com o produto a 2.276 rúpias (R$ 80) e a generalização do acesso à internet.

"Na Índia, o acesso ilimitado à internet custa US$ 2 por mês (R$ 3,70), mas não estamos contentes e achamos que pode ser de graça. Fizemos isso no Reino Unido: demos acesso à internet durante a vida útil do aparelho, amortizando o custo com anúncios. O aparelho não é o único modo de obter lucro, é uma forma de chegar ao cliente" disse.

O empresário explica a fórmula para baratear os custos do tablet: os componentes foram comprados prontos e a empresa fabricou os módulos. Além disso, ele diz ter aprendido com a forma de trabalhar da Aple. "As pessoas pensam que a Apple é a companhia de tecnologia mais bem-sucedida do mundo porque faz produtos 'cool', mas na realidade é por sua loja de aplicativos ou porque quando o iPhone é usado, a operadora telefônica tem de pagar uma pequena quantia" diz.

O Aakash ainda não tem alto-falantes e demora cinco segundos para abrir os programas, contra 1,5 segundo do iPad. Sobre as páginas da internet, Tuli estima que os aparelhos terão desempenho semelhante, por causa da velocidade de conexão na Índia.

O presidente da Datawind destaca a visualização de vídeos no Aakash: "É bastante boa. Olhe como a Shakira dança o Waka Waka", relata com bom humor. Além disso, o diferencial do tablet popular é que seus consumidores não sabem que a Apple é marca de referência e não pagarão a mais por um iPad, diz Tuli. A previsão é de que o Aakash chegue ao mercado indiano em dezembro.

Na Índia, uma em cada quatro pessoas é analfabeta, mas o empresário não desanima: "A adaptação será rápida, graças às telas táteis. Quando meu filho ainda não sabia pegar um lápis, já podia tocar a tela", explica. Tuli também aposta no tablete como instrumento de inclusão. Para ele, um motorista de triciclo poderá utilizar o Aakash para se comunicar e fazer negócios, assim como para o entretenimento.

E o produto deve chegar a outros mercados. Tuli prevê um preço inicial de 100 na Europa, com capacidade equivalente a um tablet que atualmente custa 300. "Mas pensamos que o produto por si só tem um valor limitado. O que conta é a conexão à internet. Queremos uma internet tão barata que seja quase de graça". Segundo ele, 1,5 mil reservas chegam a ele todos os dias de outras partes do mundo, o que o surpreende: "Se me perguntar se podia prever isso, seria sincero: nem de brincadeira." / EFE

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