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Ministro admite atraso nos pagamentos das obras do Minha Casa

Segundo Barbosa, o governo está trabalhando para regularizar os pagamentos, que poderão ter novo cronograma; pelos cálculos do setor, a dívida com as empresas pode chegar a R$ 1,6 bilhão

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S. Paulo

24 de junho de 2015 | 12h14

BRASÍLIA - O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, admitiu nesta quarta-feira que há atraso nos pagamentos das obras do Minha Casa Minha Vida e disse que o governo trabalha para regularizar o programa de pagamentos. De acordo com ele, a reunião desta manhã entre a equipe de Dilma Rousseff e os empresários do setor teve como objetivo discutir alternativas para "agilizar" os desembolsos referentes às obras.

Uma das propostas é diminuir o ritmo de construção das moradias contratadas no programa de habitação popular, uma das vitrines da administração PT. Pelos cálculos do setor, o governo deve às empresas entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,6 bilhão. Outra alternativa é estipular um novo cronograma de pagamento. A indústria da construção diz que os atrasos eram de 15 dias, passaram para 30 dias e agora chegam a 60 dias. Já há empresários que ameaçam parar as obras e demitir os funcionários, o que pode agravar ainda mais o índice de desemprego no País. 

De acordo com Barbosa, o anúncio do Minha Casa Minha Vida 3 ficará para o segundo semestre. A presidente Dilma Rousseff tinha prometido o anúncio da terceira fase do programa de habitação popular para o primeiro semestre deste ano. "Nossa prioridade agora é agilizar o cronograma de pagamento das 1,6 milhão de moradias que já estão contratadas para garantir o emprego e respeitar os contratos com as empresas", disse o ministro ao sair da reunião com o setor da construção civil.

Segundo ele, não há definição ainda sobre a terceira fase do programa. Os pontos que estão em aberto são a criação de uma faixa intermediária, o reajuste do valor dos imóveis e a distribuição das moradias por faixa de renda e região geográfica.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, afirmou que a dificuldade neste momento é adequar o ritmo das obras aos recursos disponíveis. "É colocar um sapato 38 num pé 42", comparou.

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