Rolex Dela Pena/Pool/EFE
Rolex Dela Pena/Pool/EFE

Barbosa descarta usar reservas internacionais para ajudar economia

PT havia proposto o uso de parte das reservas para conter a crise; ministro diz que esta não é 'uma opção adequada'

Fernando Nakagawa, enviado especial, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2016 | 12h35

XANGAI - Eleitor declarado do Partido dos Trabalhadores, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, discorda da proposta aventada dentro do PT de usar parte das reservas internacionais para ajudar a economia a superar o atual momento negativo. "Eu não acho que uso das reservas nesse momento de turbulência seja uma opção adequada", disse, ao ressaltar que, assim como todas as propostas da base governista, o plano será recebido e analisado pela equipe econômica.

"Nesse momento de maior turbulência financeira, é muito importante ter elevado estoque de reservas internacionais. Isso tem dado mais estabilidade financeira e cambial ao Brasil", disse o ministro em entrevista durante o primeiro dia dos debates do encontro financeiro das 20 maiores economias do mundo, o G-20.

Barbosa reconhece que o custo para manter as reservas é elevado. Mesmo assim, defende a manutenção, pois os benefícios superam o ônus no Brasil. "As reservas obviamente têm um custo elevado porque nós aplicamos a taxas internacionais e nos financiamentos a taxas domésticas, mas isso gera o beneficio que é dar mais autonomia de política econômica ao Brasil", disse. "Isso permite, entre outras coisas, discutir propostas dos principais partidos do governo", completou.

O ministro notou que, a despeito dessa diferença de avaliação, a equipe econômica e o PT concordam na maioria dos pontos sobre a agenda do País. Barbosa deu como exemplo o apoio à CPMF e ao aumento do investimento em infraestrutura. "Acho que há muito mais concordância". Questionado se iria à festa de aniversário de 36 anos do PT, Barbosa respondeu positivamente. "Se eu fosse convidado, eu iria". 

Inflação. O ministro acredita que a inflação brasileira iniciará processo mais evidente de desaceleração a partir de abril, quando será sentido o efeito da mudança da bandeira tarifária nas contas de energia elétrica. Sobre o tema fiscal, Barbosa não comemorou o superávit primário do governo central anunciado nesta quinta-feira e comentou apenas que a equipe econômica trabalha para elevar o resultado primário "bem acima" do que o registrado no ano passado.

"Nossa previsão mais atual é de inflação de 7,1%, mas nossa expectativa é que a inflação pode cair abaixo disso. E ontem o ministro de Minas e Energia colocou um dado importante que é a expectativa de mudança da bandeira tarifária com redução de preços a partir de abril", disse Barbosa durante o primeiro do encontro financeiro das 20 maiores economias do mundo, o G-20. "Acho que nas projeções que nós fazemos e o mercado faz essa redução da inflação começa mais a partir de abril".

Além do efeito das bandeiras tarifárias na energia, Barbosa lembrou também que, no ano passado, foi no mesmo mês de abril que as tarifas elétricas foram reajustadas. Assim, a inflação em 12 meses deixará de carregar esse aumento de quase um ano atrás. "Mas estamos trabalhando para que seja menos que isso", disse, ao se referir à previsão oficial do Ministério de inflação de 7,1% neste ano.

Sobre as contas públicas, o ministro não quis comemorar a volta ao superávit primário. "Ainda estamos no início do ano e esperamos ter melhora durante o ano. Janeiro é tradicionalmente um mês de resultado favorável e estamos trabalhando para elevar o resultado bem acima do que foi no ano passado", disse. 

Dólar. Barbosa avalia que a oscilação do real tem se mostrado mais relacionada à variação das commodities e ao cenário doméstico que com o quadro externo e a adoção de juros negativos em várias economias desenvolvidas. Isso explica a recuperação do real nos últimos dias - fenômeno que segue a reação de matérias-primas importantes para o Brasil com o minério de ferro e petróleo.

"Acho que o real tem mais relação com a mudança das commodities e o cenário doméstico do que com a política monetária externa. O preço do minério de ferro e do petróleo se refletiu na recuperação recente do real", disse Barbosa em entrevista durante o primeiro dia das reuniões financeiras do grupo das 20 maiores economias do mundo, o G-20.

Barbosa nota que algumas commodities, como o minério de ferro e petróleo, flutuaram expressivamente e o preço variou até 70% ou 80%. "No juro externo, a amplitude é bem menor. Não que isso seja importante, mas temos outros drivers mais importantes (para o real)", disse. Além das commodities, o ministro reconhece que a deterioração do quadro fiscal também influencia as cotações da moeda brasileira.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.