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Barbosa e Monteiro articulam 'agenda do crescimento'

Ministros conversam com setor privado para discutir medidas capazes de sanar endividamento das empresas

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2015 | 02h03

BRASÍLIA - Em contraponto às medidas de ajuste fiscal, os ministros do Planejamento, Nelson Barbosa, e do Desenvolvimento, Armando Monteiro, se aliaram para fechar com o setor privado uma agenda de medidas para retomar o crescimento. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que tem uma agenda própria de crescimento - chamada de Agenda Brasil -, não participa das reuniões, o que alimenta especulações em Brasília sobre mais divergências na área econômica.

Durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff e ao longo do governo Lula, era o Ministério da Fazenda que capitaneava a interlocução com o setor produtivo num grupo de acompanhamento do crescimento, que tinha representantes do governo e lideranças da iniciativa privada.

O movimento de Barbosa e Monteiro para a definição de uma agenda de curto, médio e longo prazos tem o aval da presidente Dilma. Nesse momento em que começa a conseguir apoio do Congresso Nacional para avançar com as medidas de ajuste fiscal, a presidente que dar respostas aos que cobram ações voltadas a tirar o País da recessão econômica.

Na terceira rodada de reuniões ontem, com dirigentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), foram discutidas medidas de crédito e de liberação dos depósitos de compulsórios para os bancos que renegociarem dívidas das empresas. Esse tipo de medida já foi usada no passado pelo Banco Central.

"O ministro Nelson, quando chama para essas reuniões, está traduzindo uma disposição do governo de melhorar o ambiente dos negócios e avaliar a estado da economia", afirmou Monteiro. Ele não escondeu o desconforto com o foco no ajuste fiscal. "Estamos discutindo muito a questão macroeconômica e o ajuste fiscal, mas temos que olhar o ambiente das empresas", advertiu.

Monteiro destacou que, numa hora como essa, de grande dificuldade, que se traduz em uma queda acentuada do crescimento da economia brasileira e no desemprego, é preciso olhar a microeconomia.

Compulsórios. O presidente da CNI, Robson Andrade, relativizou a ausência de Levy nas reuniões. Mas acabou dando uma alfinetada no ministro: "Acredito que ele está ocupado com o ajuste fiscal", disse. Ele negou, porém, que o ministro da Fazenda esteja sendo deixado de lado nas discussões: "Não vejo nessa ação nenhum movimento de que o ministro Levy não esteja participando."

Para Andrade, a proposta de liberação dos compulsórios tem "chance" de ser adotada. "É preciso que as empresas tenham fôlego para voltarem a produzir", disse. Segundo ele, a CNI apresentou propostas que não têm impacto fiscal, como ações na área trabalhista, de licenciamento ambiental e de desburocratização da questão tributaria. Mas medidas para o crédito, disse, são essenciais. "Hoje as empresas estão endividadas Precisamos criar condições para que elas possam fazer o pagamento e renegociar as suas dívidas", disse Andrade.

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