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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Barclays tem lucro de US$9 bilhões em 2008, mercado olha EUA

O banco britânico Barclays divulgou nesta segunda-feira lucro de 6,1 bilhões de libras (9 bilhões de dólares), e informou que os prejuízos do mercado de crédito estavam diminuindo. Enquanto isso, investidores focam no destino do pacote de estímulo econômico dos Estados Unidos, de mais de 800 bilhões de dólares. Também nesta segunda-feira, a terceira maior montadora do Japão, a Nissan, registrou um grande prejuízo trimestral, previu um prejuízo operacional para o ano todo e anunciou cortes de 20 mil empregos até 2010. A França revelará detalhes de um plano de apoio ao seu debilitado setor automotivo ainda nesta segunda-feira e Renault e a Peugeot Citroen estão prontas para anunciar resultados fracos em 2008, disse uma autoridade do gabinete presidencial. Na Europa, os danos causados pela crise financeira foram exemplificados pela queda de 3,7 por cento das exportações da Alemanha em dezembro e uma pesquisa do Banco da França mostrou que a economia do país deve se contrair em 0,6 por cento no primeiro trimestre de 2009. Entretanto, alguns dados da Europa e da China divulgados na última semana apresentaram sinais de que o pior pode ter passado. O Barclays informou que espera que 2009 seja "outro ano desafiador" com as perdas com o mercado de crédito encolhendo, mas encargos com dívidas podres aumentando. O lucro do banco antes de impostos foi menor que os 7,1 bilhões de libras de 2007, mas acima da maioria das previsões e inclui 8 bilhões de libras em perdas contábeis brutas e dívidas podres. As ações dos bancos mergulharam no começo do ano, ante temores de que necessitariam de um resgate, mas se valorizaram fortemente desde então. "Em 2008 nós tivemos uma crise no sistema bancário; o principal problema econômico de 2009 será um rápido declínio econômico de uma forma mais familiar mas, ainda assim, uma crise bem brutal do crescimento por todo o mundo", disse o presidente-executivo do Barclays, John Varley. A economia da Grã-Bretanha deve se contrair em pelo menos 2 por cento este ano, disse ele. Grã-Bretanha, Estados Unidos, Japão e a zona do euro já estão em recessão. JAPÃO ABATIDO Dados mostraram que as encomendas de maquinário no Japão, um importante indicador da economia do país, caíram 1,7 por cento para o patamar mais baixo em duas décadas, e o superávit em conta corrente japonês despencou 92 por cento em dezembro ante um ano antes. As falências de empresas aumentaram 16 por cento em janeiro para o nível mais alto em seis anos, com o número de colapsos entre companhias listadas marcando o segundo maior recorde para qualquer ano fiscal desde a Segunda Guerra Mundial, informou a empresa de pesquisas Tokyo Shoko Research. "As falências devem aumentar ainda mais. Não está claro se o governo pode resgatar setores estratégicos", disse Takeo Okuhara, economista do Daiwa SB Asset. Economias emergentes também estão sofrendo, com a Índia anunciando nesta segunda-feira uma previsão de crescimento de 7,1 por cento no ano fiscal entre 2008 e 2009 -- o ritmo mais lento em seis anos. Por tudo isso, os mercados focarão de perto o Congresso dos Estados Unidos, que permanece fortemente dividido em relação ao plano de estímulo econômico de mais de 800 bilhões de dólares.

STEVE SLATER E YUMIKO NISHITANI, REUTERS

09 de fevereiro de 2009 | 09h34

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