Bariloche luta para manter o título de 'Brasiloche'

Os anos 2010 e 2011 foram trágicos para a cidade de Bariloche, o principal centro de esqui da América Latina. Primeiro, foi a gripe H1N1, que causou pânico entre os turistas estrangeiros, temendo que o vírus poderia ser mais intenso em uma região fria como a Patagônia. Milhares de reservas foram canceladas abruptamente, embora não tenha morrido nenhuma pessoa sequer em Bariloche por causa dessa gripe.

BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2012 | 03h10

Depois da histeria de 2010, o inverno de 2011 foi embalado pela erupção do vulcão chileno Puyehue, situado a apenas 90 quilômetros de Bariloche. As cinzas desse vulcão, em vez de irem para o Pacífico, foram levadas pelo vento na direção do Atlântico, cobrindo as casas de Bariloche e impedindo o tráfego aéreo no sul da Argentina.

O ano de 2012 começou com relativo otimismo. Mas a inflação argentina e a crise internacional provocaram uma nova queda no fluxo turístico, constituído principalmente por brasileiros.

Hugo de Barba, da Associação de Hotéis de Bariloche, disse ao Estado, por telefone, que nesta temporada de inverno a cidade recebeu 18 mil turistas brasileiros, um volume inferior à média de 25 mil pessoas registrada nos anos anteriores às catástrofes, embora superior aos apenas 3 mil do inverno passado. "Neste ano, houve uma mudança de administração no Cerro Catedral (a principal montanha para esqui da área), com grandes melhorias, além de pacotes especiais. Estamos nos esmerando mais ainda no atendimento aos estrangeiros. Para o ano que vem esperamos um aumento de 30% no fluxo de brasileiros."

Segundo De Barba, os brasileiros constituem, em média, 60% a 70% dos turistas estrangeiros que visitam Bariloche. "E do total de turistas, incluindo os argentinos de outras regiões, o Brasil é responsável por 30%do turismo. Por isso, o mercado brasileiro nos interessa muito. Não é à toa que a cidade ostenta com carinho o apelido de 'Brasiloche'. E queremos continuar mantendo esse apelido."

Joaquin Escardó, economista e assessor do setor hoteleiro de Bariloche, disse que os brasileiros "estão mais cautelosos" na hora de gastar. "Pode ter a ver com a inflação. Mas acho que, por causa da crise mundial, os turistas em todo o planeta estão mais cautelosos." / A.P.

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