Barral ironiza secretário argentino e avalia retaliação

O secretário do Comércio do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, não confirmou informações de que o governo brasileiro prepara armas contra as retaliações, ainda não confirmadas oficialmente, da Argentina em relação à entrada de produtos alimentícios do Brasil, minimizando ordem verbal nesse sentido dada pelo seu colega argentino, Guillermo Moreno.

Célia Froufe e Renata Veríssimo, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2010 | 00h00

"Não é porque o sub do sub teve uma ideia mirabolante, que sempre existe, que vamos tomar medidas sem avaliação."

Barral deu a entender que a Argentina tem mais a perder com as barreiras contra o Brasil, já que o volume de exportação de alimentos daqui para lá é da ordem de R$ 500 milhões por ano, enquanto as importações na mão contrária somam cerca de US$ 2 bilhões. "Não somos complacentes com comércio exterior. Temos sempre a visão de reciprocidade", declarou. "O Brasil tem um mecanismo eletrônico de controle de importações. É um botão", resumiu ontem. "Estamos acompanhando o caso com cuidado."

Fontes do governo informaram ao Estado que as autoridades têm buscado informações sobre o caso, mas que as respostas têm sido desencontradas. Diante disso, o Brasil solicitou um posicionamento oficial na semana passada, que deve vir em 1.º de junho, por meio de uma nota confirmando que as medidas de proteção aos produtores locais entrarão em vigor. Estas mesmas fontes acrescentaram que a resposta do Brasil ao episódio será fazer "corpo mole" ao desembaraço de cargas que não têm licença automática. No caso dos produtos alimentícios, são cerca de 30 itens nessas condições. Dessa forma, os trâmites realizados pelo Brasil e que demoram, em média, uma semana, serão adiados, podendo chegar ao limite máximo de tempo estipulado pela Organização Mundial do Comércio (OMC), de 60 dias.

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