Barreira argentina ameaça mil empregos no Brasil, diz Eletros

A Associação Nacional de Fabricantes Eletroeletrônicos (Eletros) informou hoje que a decisão do governo argentino de criar salvaguardas para reduzir as importações de produtos brasileiros interrompeu um processo de diálogo entre o setor privado dos dois países iniciado no começo do ano e poderá resultar no fechamento de pelo menos uma fábrica no Brasil e a demissão de até mil trabalhadores. Segundo a entidade, a Argentina absorve 26% das exportações brasileiras de fogões, refrigeradores e lavadoras de roupa.Em comunicado, a Eletros disse que as "medidas são injustificáveis e ferem as regras de livre comércio estabelecidas no Mercosul, caracterizando uma lamentável posição de protecionismo argentino". A entidade argumenta que o crescimento das exportações para a Argentina no ano passado foi atípico, por causa de uma base de comparação (2002) baixa. Desde setembro, o setor privado argentino vinha pedindo ao governo para restringir as importações do Brasil, alegando que o parceiro do Mercosul adota políticas de subsídios às exportações. A Eletros, que reúne 28 empresas do setor no Brasil, diz que o intercâmbio comercial com a argentina está em conformidade com os as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).A Eletros afirma que o acordo em discussão com os empresários argentinos caminhava para um política de cotas, mas que a decisão do governo "mostra a inflexibilidade do ministro da Economia argentino, Roberto Lavagna". "É lamentável que o governo argentino tenha adotado uma visão imediatista e demonstre pouco compromisso com o Mercosul, não entendendo que, sem a definição de uma política industrial local, que promova a integração de cadeias produtivas, não será possível superar a oscilação entre uma estrutura produtiva envelhecida e medidas protecionistas", diz a entidade.

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