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Barreira foi um 'tiro de canhão', diz Miguel Jorge

Para ex-ministro, o Brasil precisa ter paciência na relação comercial com a Argentina, considerando a grandiosidade do País

Guilherme Soares Dias, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2011 | 00h00

O ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Miguel Jorge disse ontem que o Brasil precisa ter "paciência" na relação comercial com a Argentina, levando em consideração sua grandiosidade em relação ao vizinho.

"Somos para Argentina, guardadas as proporções, o que a China é para o Brasil. A população, o Produto Interno Bruto (PIB) e a produção industrial brasileira são algumas vezes maiores que as da Argentina", disse, em entrevista a AE TV da Agência Estado.

O ex-ministro classificou a barreira que o Brasil impôs aos automóveis argentinos como "tiro de canhão" e lembrou que a situação é de atrito, mas acredita em resolução. "Essa questão é muito episódica. No meu período como ministro, também ocorreram questões como essa. Nós sempre chegamos a um acordo."

Miguel Jorge disse também que o Brasil precisa ser mais competitivo para concorrer com os produtos chineses. "Precisa reduzir a carga tributária e os custos trabalhistas, já que competimos de forma desigual com a China, onde os salários são muito baixos e não existe benefícios para o trabalhador."

"Devemos tratar a China como parceiro especial. Eles são grandes exportadores, mas também podem ser consumidores dos nosso produtos manufaturados", disse, lembrando que 80% das exportações brasileiras são de commodities, entre os quais minério de ferro. "Temos de fazer um esforço para conhecer o mercado chinês e para entrar lá. A China é um jogador importante no mercado mundial e temos que tirar o melhor disso."

Miguel Jorge criticou ainda o setor industrial brasileiro que importa peças chinesas para a produção local, mas critica a entrada de produtos do país asiático. "Sou contra medidas protecionistas defendidas por alguns setores da indústria."

Balança comercial. O ex-ministro também afirmou que o aumento das importações não impedirá o crescimento do superávit comercial do País neste ano. Segundo ele, depois de um saldo positivo de US$ 20 bilhões em 2010, a balança deve ter superávit entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões em 2011, puxado principalmente pelo agronegócio. Ele disse que o agronegócio continua sendo destaque da balança por ser exemplo de competitividade e inovação, enquanto a indústria ainda precisa trabalhar esses pontos.

Miguel Jorge ressaltou ainda que é natural a queda de 28% para 16% nos últimos oito anos da participação da indústria na economia. "Isso é inevitável num país em crescimento. A atividade industrial será superada, à medida que o crescimento ocorre, pelo setor de serviços."

O setor de serviços, segundo ele, é o que deve continuar gerando maior número empregos nos próximos anos. "Com a economia crescendo cerca de 5% por ano, chegaremos a marca de 2,5 milhões de empregos anuais."

Questionado se haverá número suficiente de trabalhadores qualificados para preencher essas vagas, ele afirmou que a capacitação é o grande gargalo do País. "É preciso investir em educação", reforçou.

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