Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Barreira geológica

Ainda não dá para dizer que a comoção financeira internacional tenha ido embora, porque as marés são assim. Vão e voltam; depois da baixa vem a alta, depois novamente a baixa... e assim é a natureza do mar e das ondas.Ontem, o comportamento dos mercados pareceu mostrar que o estado de saúde dos bancos internacionais e, principalmente, dos bancos de investimento é suficientemente forte para absorver eventuais trancos a que está sujeita a vida econômica da clientela. Além disso, o volume de recursos continua farto, o que aponta para juros baixos nos Estados Unidos e no resto do mundo rico.Ainda que a crise do segmento de maior risco (subprime) possa ter novos desdobramentos, não dá para apostar em que desemboque na queda abrupta do consumo e na ocorrência de forte recessão nos Estados Unidos. O megaajuste previsto pelos sismólogos vai sendo outra vez adiado.No entanto, esse estremecimento deveria, pelo menos, servir de alerta para o descompasso entre demanda e oferta de petróleo que torna insustentável o modelo de expansão global.Na condição de viciada em petróleo, a economia mundial enfrenta a perspectiva de um apagão energético que, desta vez, está sendo determinado por fundamentos geológicos com baixa probabilidade de reversão.As necessidades de energia embasadas em combustíveis fósseis crescem todos os anos. O ajuste, quando necessário, sempre se fez via preços que, agora, retornam ao ponto culminante da história (ver gráfico).Preços mais altos podiam produzir alguma inflação, mas ao menos cumpriram função de estimular os investimentos, levar a novas descobertas e ao aumento da produção. Daqui para frente é improvável que essa reposição continue nas mesmas proporções. Ao aumento de preços não necessariamente se seguirá o reequilíbrio entre oferta e procura.A Agência Internacional de Energia, por exemplo, prevê que no ano que vem a demanda por petróleo crescerá 2,5% e, no entanto, a evolução da oferta da Opep, que vem vindo abaixo de 1% ao ano, é incerta em 2008.A compulsão da China e de mais meia dúzia de emergentes asiáticos tende a atirar o consumo (e os preços) para o alto.Ninguém pode vender certezas sobre o que acontecerá mais adiante, com a agravante de que, num mercado estruturalmente desequilibrado, qualquer marola geopolítica - um atentado na Nigéria ou paralisação de um gasoduto estratégico - poderá convulsionar o mercado.Não há substituto para o petróleo. Os combustíveis renováveis ou alternativos cobrem apenas uma fração da matriz energética mundial. Bastou que se anunciasse um esforço em direção à produção de etanol para que de toda parte espocassem reclamações de que produzirá mais fome e destruição de florestas.A tecnologia mandou o homem para a Lua e tricotou o mundo pela internet. Mas ainda não equacionou a questão energética. O crescimento econômico futuro esbarra aí.celso.ming@grupoestado.com.br

O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2031 | 00h00

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