Barreiras argentinas contra calçados entram em vigor hoje

A barreira burocrática do governo argentino contra os calçados brasileiros foi publicada hoje pelo Diário Oficial. São duas resoluções: 485/05 e 486/05, as quais impõem a exigência de licença para a importação de calçados e de brinquedos de qualquer origem. Os países mais prejudicados serão o Brasil e a China, já que são os principais exportadores desses produtos para o mercado argentino.A partir de agora os importadores argentinos deverão pedir autorização à Secretaria de Indústria para que suas compras entrem no país. A tramitação dos papéis pode demorar entre 60 a 90 dias ou até mais, dependendo do volume acumulado de pedidos.Segundo o ministro de Economia, Roberto Lavagna, a medida foi negociada com o Brasil. "Como conseqüência da apreciação da cotação do câmbio brasileiro, o Brasil tem dificuldades para exportar calçados à Europa e Estados Unidos, e isso poderia provocar que esse excedente seja canalizado para a Argentina", argumentou Lavagna.NúmerosA Secretaria de Indústria afirma que a importação argentina de calçados foi de 13 milhões de pares em 2003 e de 19 milhões em 2004. As estimativas oficias são de chegar ao final de 2005 com uma importação de 22 milhões de pares, dos quais, 15,5 milhões seriam brasileiros.Porém, com a aplicação da barreira, esse número deverá ficar em torno de 13,5 milhões de pares. Somente nos primeiros seis meses do ano, o Brasil exportou 6,5 milhões de pares de calçados para o mercado argentino, conforme as cifras da Secretaria. Segundo o ministro Lavagna, a medida vai ajudar a indústria local a concretizar investimentos no setor.BrinquedosNo que diz respeito aos brinquedos chineses, o governo de Néstor Kirchner argumenta que as importações aumentaram de US$ 26 milhões, em 2003, para US$ 48 milhões em 2004, e chegariam a US$ 74 milhões em 2005. Neste caso, a adoção da barreira não foi negociada com o governo da China e não tem prazo de validade.

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