Barreiras comerciais da China impedem negócios com a UE

Por causa de barreiras comerciais não-tarifárias, empresas européias estão deixando de fazer negócios na China num montante de no mínimo 20 bilhões de euros por ano, disse um estudo publicado pela Comissão Européia na segunda-feira, 19. A pesquisa, conduzida por consultores do órgão Executivo da União Européia, afirmou que a China oferece enormes oportunidades para empresas do bloco, especialmente nas áreas de serviços e de tecnologia benéfica ao meio-ambiente. Mas o estudo afirma que a China não está cumprindo os compromissos assumidos com a Organização Mundial do Comércio (OMC) em várias áreas, especialmente na implementação de regras por autoridades provinciais e em questões de direitos de propriedade intelectual, e a indústria européia está sofrendo como consequência. "Muitos europeus vêem a China como uma história de terror da globalização", disse o comissário europeu para o Comércio, Peter Mandelson, na apresentação do estudo. "Mas as evidências econômicas mostradas por esse estudo dos setores essenciais da indústrias e dos serviços da UE sugerem que a China é na verdade uma história de sucesso da globalização para a Europa." Reconhecendo que há a sensação crescente de que a China e a Europa não negociam em termos igualitários, ele afirmou: "Esse estudo mostra que as barreiras comerciais não-tarifárias custam às operadoras da UE não menos que 21,4 bilhões de euros ao ano em oportunidades perdidas de negócios". Serviços A pesquisa disse que o crescimento do setor de serviços, onde a UE tem a maior vantagem comparativa, está deixando outros setores para trás, mas afirmou que essa também é uma das áreas com mais entraves ao comércio e ao investimento. A necessidade da China por tecnologias "verdes" e serviços representa uma enorme oportunidade para exportadores da UE - um mercado que deve chegar a 98 bilhões de euros até 2010, segundo o estudo. Cada vez mais as empresas européias estão estabelecendo a produção na China não para exportar produtos mais baratos, mas para competir no mercado interno chinês, afirmou o levantamento. A UE, junto com os Estados Unidos, entrou com sua primeira queixa na OMC contra a China no ano passado, por causa do tratamento a empresas européias de peças automotivas. Segundo o estudo, outras áreas problemáticas são maquinário, construção, telecomunicações e a financeira. "A política comercial européia deveria pressionar a China a implementar plenamente o espírito de seus compromissos com a OMC e apoiar uma liberalização maior de sua economia", disse o trabalho, que recomendou o diálogo, a inclusão e a assistência técnica para resolver os problemas comerciais, em vez de medidas protecionistas ou litigatórias.

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