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Barreiras provocam escassez de produtos

"Não queremos importar nem um prego! Queremos que tudo seja produto argentino!" Com estas palavras, pronunciadas em dezembro, poucos dias antes da posse de seu segundo mandato, a presidente Cristina Kirchner deixou claro que sua cruzada anti-importações era a sério. O governo em peso está mobilizado para blindar as fronteiras e evitar a entrada de produtos estrangeiros. Os próprios sócios do Mercosul - entre os quais o Brasil - também foram atingidos pelas barreiras, que violam o espírito de livre comércio do bloco.

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2012 | 03h07

No início deste mês, 40 países, entre os quais os EUA, os integrantes da União Europeia e o México, denunciaram as barreiras na Organização Mundial do Comércio (OMC). Porém, o governo Kirchner não se intimidou com a possibilidade de isolamento internacional cada vez maior e disse que pretende continuar em sua política comercial.

Segundo o vice-presidente argentino, Amado Boudou, a política protecionista "é útil para os argentinos". "Não estamos contra as importações. Estamos protegendo a indústria argentina."

Atualmente são escassos na Argentina pneus importados para ônibus, telefones BlackBerry, HDs para notebooks, peças para aparelhos de tomografia, fraldas, líquido para revelação de raio-x, máquinas para tratamento de madeiras, peças para câmeras fotográficas e produtos da Nike, Adidas, Lacoste e Levi's, entre outros.

As facas Tramontina - vendidas na Argentina há mais de duas décadas - também estão em falta. As barreiras ao produto levaram a empresa a rescindir o contrato de patrocínio com o clube River Plate. Os ferros de passar e os liquidificadores também se tornaram espécie em extinção. Desde dezembro, argentinos atravessam o Rio da Prata para comprá-los no Uruguai. / A.P.

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