Barril da capitalização deve ficar perto de US$ 8

O preço das reservas de petróleo que serão cedidas à Petrobras pela União no processo de capitalização da companhia ficará em torno de US$ 8 por barril. Essa é a definição que estava sendo acertada ontem em reunião no Planalto, que tinha como objetivo um consenso entre governo e Petrobras em relação aos detalhes da operação.

KELLY LIMA E VINÍCIUS PINHEIRO, Agencia Estado

26 de agosto de 2010 | 08h07

As ações da companhia, que passaram o dia em baixa, tiveram alta repentina no sistema de negociação conhecido como ?after market? após o fim do pregão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), às 17 horas. O encontro em Brasília se estendeu até a noite de ontem, sem nenhuma divulgação oficial após o encerramento. Segundo fontes, porém, os participantes do encontro já haviam chegado a um preço no início da tarde. O valor não foi divulgado oficialmente, mas observadores próximos dizem que ficou entre US$ 8,20 e US$ 8,30 - valor intermediário entre as avaliações das certificadoras contratadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e pela Petrobras.

No início da noite, as ações da estatal dispararam na Bovespa, em um sinal de que os detalhes seriam anunciados em breve. Depois de fechar o pregão em queda de 0,23%, as ações da companhia subiram 1,76% no after market. As ações da estatal movimentaram R$ 23,1 milhões no after market, mais do que o triplo do movimento do dia anterior.

Se confirmado o valor de US$ 8 por barril, a Petrobras terá de pagar US$ 40 bilhões à União por ter recebido 5 bilhões de barris, no processo conhecido como cessão onerosa. O governo deve usar parte desses recursos para comprar um número de ações equivalente aos 32,2% que detém na estatal. A sobra poderá ser usada para aquisição de participações minoritárias, caso os minoritários não comprem todas os papéis que serão colocados à sua disposição. A compra das sobras pela União é uma estratégia para ampliar a fatia do governo no capital da estatal.

Além do valor do barril, outro ponto que estava emperrando as negociações seria o volume das reservas contidas na área de Franco, que será utilizada para a cessão onerosa. Por divergências na interpretação dos dados, as consultorias apresentaram laudos tão discrepantes quanto os valores do barril.

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