Base de cartões no Brasil cresce 10% em 12 meses até abril

A base de cartões do mercado brasileiro manteve expansão em abril. Já o volume de transações e o faturamento do setor desaceleraram levemente o ritmo de crescimento, mas voltaram a subir forte este mês devido ao Dia das Mães.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

28 de maio de 2010 | 18h26

Em abril, o número de cartões ativos no país subiu 10 por cento no espaço de 12 meses, para 586,6 milhões de plásticos, segundo dados antecipados à Reuters pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

O movimento foi puxado pelo segmento de private labels, de cartões emitidos por lojistas, com alta de 14 por cento, seguido pelos cartões de crédito, com avanço de 11 por cento. Os cartões de débito evoluíram 7 por cento no período.

Já as 536,9 milhões de transações realizadas em abril foram 14 por cento maiores na comparação anual, ritmo inferior à expansão observada nos três primeiros meses do ano, de 15 a 16 por cento.

Com isso, o faturamento do setor, que chegou a 40 bilhões de reais no mês passado, desacelerou para uma evolução anual de 19 por cento, ritmo que vinha acima de 20 por cento de expansão entre janeiro e março.

Segundo o presidente da Abecs, Paulo Caffarelli, a despeito da sazonalidade normal do setor refletida nesses números, a curva de expansão é um indicativo de que o consumo doméstico escapou dos efeitos da crise europeia.

"Até agora não sentimos nenhum impacto. Estamos passando incólumes", disse Caffarelli à Reuters.

Segundo números preliminares da entidade, a velocidade foi retomada este mês, puxada pelas vendas relacionadas ao Dia das Mães. Dados da Abecs apontam que a base total deve chegar a 591,8 milhões de plásticos no final de maio, avanço anual de 11 por cento.

Ao mesmo tempo, a projeção da entidade é de que o total de transações tenha avançado 16 por cento sobre maio de 2009, para 580,7 milhões, fazendo o faturamento dar um salto anual de 23 por cento, para 44,3 bilhões de reais.

Se o ritmo de crescimento se mantiver, o Brasil atingirá 628 milhões de plásticos em dezembro, de acordo com a Abecs. Isso significa uma média de mais de três cartões para cada brasileiro, considerando a população de quase 193 milhões de pessoas, com base em números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

AUTORREGULAÇÃO

De acordo com Caffarelli, a Abecs deve divulgar em junho um código de autorregulação do setor, incluindo temas como interoperabilidade entre as credenciadoras, o estabelecimento de uma clearing comum e a taxa de intercâmbio. Trará também o compromisso da entidade para a criação de bandeiras nacionais de cartões.

"Isso pode abrir espaço para surgimento de várias novas bandeiras", disse Caffarelli.

No mês passado, Bradesco e Banco do Brasil anunciaram a criação da bandeira Elo, que vai concorrer com as gigantes Visa e Mastercard.

Conforme o executivo, no segundo semestre deve sair também um documento tratando da padronização da cobrança de tarifas dos cartões de crédito para portadores, assunto que a Abecs vem discutindo com o Banco Central.

Para Caffarelli, o fim dos acordos de exclusividade entre as bandeiras e redes adquirentes e a nova regulamentação do setor terá dois efeitos imediatos. Primeiro, a entrada de novos adquirentes internacionais. O outro será a aceleração da emissão de cartões, com a entrada de novas bandeiras.

"Ainda há um espaço enorme para expansão desse segmento, que é o segundo mercado financeiro que mais cresce no Brasil, só atrás do crédito imobiliário", disse.

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