Base de comparação das vendas do comércio é muito baixa, diz IBGE

A alta de 6,09% no volume de vendas do comércio varejista em janeiro deste ano, ante igual mês de 2003, foi a maior da série histórica de três anos da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgada hoje pelo IBGE. Segundo o economista da Coordenação de Serviços e Comércio do instituto, Nilo Macedo, o resultado foi influenciado principalmente por dois fatores: o efeito estatístico de utilizar base de comparação muito baixa e a alta de vendas, no mês, no grupo móveis e eletrodomésticos (19,62%), ante janeiro do ano passado. O economista lembrou que, em janeiro de 2003, houve queda de 4,37% ante igual mês do ano anterior e que em dezembro de 2002, a queda era de 5,07%. "O cenário deste início de ano para o comércio é bem mais favorável do que o do ano passado. Já em dezembro do ano passado, o comércio teve alta de 3,21% ante dezembro de 2002", afirmou. Ele lembrou que a melhora deste cenário foi provocada principalmente pelos juros, já que a taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, encontra-se em patamar menor do que o registrado no ano passado. O técnico observou ainda que a inflação encontra-se mais controlada no começo deste ano do que no início de 2003. "Além disso, já há sinais de melhoria nas condições de renda e emprego (em comparação com o ano passado)", disse. Macedo explicou que o atual cenário do comércio varejista, com perspectivas mais favoráveis, conduz a um grande "efeito psicológico" no consumidor, que se sente mais confiante em efetuar compras a prazo, de produtos de maior valor agregado - como é o caso de eletrodomésticos. Poderia ser melhor O resultado do comércio varejista em janeiro, que teve alta de 6,09% no volume de vendas, poderia ter sido melhor, caso os cenários de renda e emprego fossem mais favoráveis, segundo Nilo Macedo. "Se a renda e o emprego estivessem em uma situação bem melhor do que a atual, certamente os setores de alimentos, e de combustíveis, teriam tido resultados bem mais significativos, influenciando um crescimento maior do comércio como um todo", afirmou. Ele considerou que a alta no setor de móveis e eletrodomésticos (19,62%) em janeiro foi influenciada basicamente pelo menor patamar de juros. Porém, o setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo teve alta de 2,87% no mês. Este foi o segundo resultado positivo consecutivo no setor, mas em nível menor do que o registrado em eletrodomésticos. Outro dado apontado por Macedo foi a queda, em janeiro, no volume de vendas de combustíveis e lubrificantes (-0,59%). "Os preços deste grupo estão estabilizados, mas em um patamar ainda muito alto; o consumidor está tirando este item de sua cesta", disse. Embora observe que os resultados do comércio poderiam ter sido melhores, Macedo considerou que, em comparação com o ano passado, houve melhora no cenário de renda. Segundo ele, as últimas pesquisas de emprego, do IBGE, mostram desaceleração na queda do rendimento médio do pessoal ocupado, de janeiro para dezembro. "O rendimento das pessoas ocupadas é fator preponderante para estimular alta de vendas nos segmentos. Hoje, temos uma situação mais confortável (na renda) do que há meses atrás", disse. Mudanças A divulgação da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) sofreu mudanças em janeiro deste ano. Segundo o economista Nilo Macedo, o sistema de índices do comércio varejista teve a amostra ampliada, de 5 mil empresas informantes para 9 mil empresas. O IBGE também passou a divulgar a base fixa do Índice do Comércio Varejista Ampliado. Este será um novo indicador, cuja variação mensal será anunciada somente a partir de janeiro de 2005; a intenção do IBGE é divulgar os dois índices, o atual "simples" e o ampliado, no primeiro mês do ano que vem. A diferença entre o ampliado e o simples é de que, no primeiro, são incluídas na formação geral do indicador as variações, nos volumes de venda, de dois setores: veículos e motos, partes e peças (atualmente calculado pelo IBGE, mas que não entra no cálculo da formação do índice geral); e o comércio de material de construção. Além disso, no indicador ampliado, o grupo Demais Artigos de Uso Pessoal foi dividido em quatro segmentos: Artigos Farmacêuticos, Médicos, Ortopédicos e de Perfumaria; Equipamentos e Material de Escritório, Informática e Comunicação; Livros, Jornais, Revistas e Papelaria; e Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico. Para não criar confusão, o IBGE resolveu não anunciar mais a variação de Demais Artigos de Uso Pessoal no indicador simples, reduzindo para cinco o número de grupos cujas variações são divulgadas na PMC. Macedo informou ainda que a ampliação da abrangência da pesquisa não afetou o resultado geral de comércio varejista, que teve alta de 6,09% em janeiro deste ano, ante janeiro do ano passado.

Agencia Estado,

18 Março 2004 | 13h08

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