Bases para crescimento foram erguidas em 2003, diz Meirelles

O presidente do BC, Henrique Meirelles, reconheceu que o crescimento da economia em 2003 será pequeno. Ele ressaltou, no entanto, que o fato de a economia ter um crescimento positivo, mesmo tendo perdido US$ 28 bilhões no ano passado (em investimento direto, empréstimos, financiamentos e capitais de curto prazo), tem de ser encarado favoravelmente, porque, em outros países que passaram por problemas semelhantes, o PIB apresentou queda entre 5% e 12%. "Crescimento pequeno (em referência à projeção do BC de 0,6% para 2003), é verdade, mas crescimento. Ainda não é o crescimento que queremos, ainda estamos longe dos índices que, com certeza, teremos condições de alcançar nos próximos anos", disse Meirelles, na prestação de contas das atividades do Banco Central, no Congresso.O presidente do BC afirmou aos parlamentares que a construção duradoura de bases sólidas para a retomada do crescimento foi feita ao longo deste ano, que ele chamou "ano de sacrifício". "Sobre bases sólidas, estaremos construindo, de forma responsável, o caminho que nos levará, a partir do ano que vem, ao desenvolvimento e ao crescimento sustentado", disse Meirelles.O presidente do BC também ressaltou que a aprovação das reformas da Previdência e tributária trará impactos positivos sobre o crescimento. Sobre as idas e vindas do processo de negociação em torno das reformas, Meirelles disse que isso não deve impedir o reconhecimento dos avanços que o País vem conquistando nestas áreas. Ameaça debeladaO presidente do Banco Central afirmou que a ameaça da volta da "espiral inflacionária" foi debelada. "A inflação, que no final do ano passado se aproximava dos 40% anualizados, voltou a patamares próximos à média de países emergentes", disse Meirelles. Ele ressaltou que, nos últimos seis meses, o Brasil teve inflação média de 0,45%, que corresponderia a taxa anualizada de 5,7%. Ele também destacou o fato de que as expectativas de mercado, 12 meses à frente, apontam para inflação de 6,1% em linha com a trajetória das metas de inflação. Para 2004, o presidente do BC disse que as expectativas também convergem para o cumprimento da meta. Mudança na relação com o FMIDurante o debate que se seguiu ao seu pronunciamento, no Congresso Nacional, Meirelles afirmou que a melhora dos fundamentos econômicos brasileiros permitiu uma mudança no relacionamento entre o País e o FMI. Meirelles ressaltou que tradicionalmente os países recorrem ao Fundo em momentos de crise. Segundo ele, a situação brasileira hoje, no entanto, permite um outro tipo de discussão. "Temos hoje um novo tipo de conversa mais construtiva sobre como criar uma parceria para o crescimento", disse. Meirelles repetiu a posição apresentada ontem pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, de que a decisão sobre um possível novo acordo com o FMI deverá ser fechada dentro de dez dias. A audiência pública na Comissão de Orçamento prossegue com perguntas de parlamentares. O presidente do Banco Central tem concentrado suas explicações sobre os indicativos de retomada da atividade econômica, o aumento do volume de crédito concedido pelo sistema financeiro e os possíveis efeitos dest e aumento de crédito e das medidas de financiamento com custos mais baixos sobre a taxa média de juros do mercado, pontos detalhados por ele na exposição inicial. Volta dos investimentos externosO presidente do Banco Central afirmou que pode estar ocorrendo um processo "consistente" de retomada dos fluxos de investimento estrangeiro direto (IED) no País. Segundo ele, essa retomada poderá se prolongar no "futuro próximo". "Os investimentos externos que estão ingressando agora no País são resultado de processos longos de tomada de decisão", disse Meirelles. Ele ressaltou aos parlamentares que nos úl timos três meses a média de investimentos diretos foi de US$ 900 milhões e que a estimativa para 2004 está em US$ 13,5 bilhões. Serviço da dívida Meirelles afirmou que o setor público deverá gastar R$ 121 bilhões em 2004 com o pagamento de serviços das dívidas interna e externa. Segundo ele, o serviço da dívida interna custará aos cofres públicos R$ 105,4 bilhões, enquanto o da dívida externa somará R$ 15,6 bilhões. Apesar da cifra alta, Meirelles destacou que essa projeção indica uma melhora em relação aos gastos previstos para 2003. Neste ano, o setor público gastará R$ 153,9 bilhões com serviços da dívida, sendo R$ 137,1 bilhões para a dívida interna e R$ 16,8 bilhões para a dívida externa. Meirelles também considerou importante a discussão levantada pelos deputados Sérgio Miranda (PCdoB-MG) sobre a questão da taxa de juros real da economia. Ele ressaltou, entretanto, que a taxa de juros real de equilíbrio é um conceito teórico e muito difícil de se descobrir "a priori" qual será esse porcentual.Historicamente, o Brasil teve, de 1994 a 1998 , uma taxa de juros real de 19,27%, caindo para um valor pouco acima de 10% entre 1998 e o início de 2003. Na avaliação do presidente do BC, essa taxa de juros reflete "grosso modo" o risco macroeconômico do País. Portanto, na medida em que o governo consegue estabilizar os indicadores macroeconômicos, a tendência é de uma queda dessa taxa ao longo do tempo. "Isso reflete na queda do risco País. E o caminho para reduzirmos essa taxa é o da estabilidade de preços, da estabilidade econômica e da política fiscal. Meirelles insistiu que o aumento do volume de crédito no País está vinculado à retomada da atividade e da estabilidade econômica. "Portanto, é fundamental manter a estabilidade dos indicadores econômicos para que o País consiga expandir o volume de crédito ofertado às empresas e famílias", disse. Leia também: O pior já passou e a retomada começou, diz Meirelles Massa salarial está se recuperando, diz MeirellesPara ler a íntegra do pronunciamento de Henrique Meirelles, clique aqui

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