Petros Giannakouris/AP
Petros Giannakouris/AP

Bases para um acordo com a Grécia estão lançadas, diz Europa

Bolsas sobem com a perspectiva de um entendimento que evite o calote da Grécia; líderes políticos esperam sinal positivo hoje, mas continuidade das discussões técnicas durante a semana

Andrei Netto, correspondente, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2015 | 08h57

Atualização às 15h15

PARIS - Durou cerca de duas horas a reunião extraordinária do Eurogrupo para discutir a proposta apresentada pelo primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras. O objetivo do encontro foi buscar entendimento que permita evitar o default de pagamentos de Atenas em 30 de junho, mas o suspense vai continuar nas próximas horas. Uma cúpula entre chefes de Estado e de governo acontecerá nesta noite para analisar a oferta grega que "lançou as bases para um acordo".

A reunião do Eurogrupo começou às 12h30, horário de Bruxelas, 7h30 em Brasília, substituindo o encontro de chefes de Estado e do governo, que foi adiada para às 19h. Pouco depois das 14h30, o encontro dos ministros de finanças foi encerrado.

De acordo com o ministro das Finanças da Finlândia, Alexander Stubb, técnicos da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), os maiores credores internacionais da Grécia, agora analisarão a proposta elaborada pelo governo de Tsipras no final de semana e apresentada na noite de domingo. "O Eurogrupo se termina, mas o trabalho continua. As instituições avaliam as propostas", explicou Stubb via Twitter.

Segundo o coordenador do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, o encontro realizado ao meio dia acabou tendo caráter preparatório à cúpula de chefes de Estado e de governo. O holandês disse considerar a proposta grega "um passo positivo nas discussões", que permitirá aos credores internacionais "entrar nas especificidades". "A primeira impressão é de que amplo e completa", disse o ministro. "Mas temos de ter paciência. As instituições internacionais confirmaram que se tratam de boas bases para retomar as negociações ao longo dos próximos dias."

Segundo o comissário europeu de Finanças, Pierre Moscovici, o tempo extra de análise foi necessário porque o governo Tsipras enviou uma proposta no domingo à noite e outra versão, com pequenas mudanças, na segunda-feira pela manhã. 

"Recebemos as propostas tardiamente. São uma boa base de trabalho, mas resta algum trabalho a fazer para verificar", ponderou Moscovici, explicando que as condições políticas para o entendimento serão discutidas hoje à noite pelos chefes de Estado e de governo. "É uma base sólida e finalmente global. Mas ainda há trabalho a fazer. Estamos buscando um acordo, mas ainda não chegamos até lá."

O desfecho da reunião já era esperado pelas partes, apesar da expectativa criada por uma decisão final sobre o caso grego. Já na chegada ao prédio do Conselho Europeu, diferentes da União Europeia confirmaram que a tendência era de um acordo, mas que ainda pode levar dois ou três dias, o tempo necessário para análise da documentação entregue por Atenas. 

"Progressos foram realizados nos últimos dias, mas nós ainda não chegamos a um entendimento. Não se se poderemos fechar o acordo hoje", afirmou Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, um dos principais credores internacionais de Atenas, com € 141 bilhões em obrigações soberanas gregas. 

Os líderes políticos mais importantes da Europa também indicaram que a decisão final pode não ser tomada hoje, mas no curso da semana. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou que progressos haviam sido feitos, mas que "ainda restam vários dias da semana no curso dos quais as decisões podem ser tomadas". 

Já o presidente da França, François Hollande, pediu que "um acordo global e sustentável", e "não parcial e limitado no tempo", possa ser alcançado o mais rápido possível. "É preciso que as bases sejam suficientes para um acordo nos próximos dias", afirmou.

A nova oferta apresentada por Tsipras no domingo, fazendo concessões aos credores internacionais - além da Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) -, também levou as bolsas de valores a reagirem bem. Os principais índices da Europa encerraram o pregão desta segunda-feira em forte alta.

A Bolsa de Atenas avançou 9%; o índice DAX, da Bolsa de Frankfurt, subiu 3,81%; a Bolsa de Milão fechou na máxima aos 23.485,95 pontos, com valorização de 3,47%; em Paris, o índice CAC-40 fechou em alta de 3,81%; em Londres, o índice FTSE-100 teve alta de 1,72% e a Bolsa de Lisboa subiu 2,18%.

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