Gabriela Biló/Estadão
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Bastidores: Economia teme que fala nazista de secretário 'manche' participação do Brasil em Davos

O ministro Paulo Guedes vai para o Fórum Econômico Mundial com a missão de 'vender' o País como o melhor destino para investimentos, mas agora há preocupação com um repúdio internacional após o episódio com Roberto Alvim

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2020 | 11h48

BRASÍLIA - O discurso de inspiração nazista do secretário de Cultura, Roberto Alvim, trouxe preocupação para a área econômica na véspera da abertura do Fórum Econômico Mundial. O risco de uma repercussão internacional de repúdio ao posicionamento do secretário contaminar a imagem do Brasil no debates do fórum é elevado está no radar de assessores da área econômica. 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, desembarca em Davos, nos Alpes suíços onde acontece o encontro de lideranças, com a missão de "vender" o Brasil como o melhor destino para a enxurrada de recursos disponíveis no mundo para investimentos. A controversa agenda ambiental brasileira já era um tema espinhoso para a missão do governo que participará do fórum, que se soma agora à desastrosa aparição de Alvim num vídeo das redes sociais. 

Esse tipo de ruído só piora o quadro de quem tem a missão de trazer recursos de investidores para o Brasil para acelerar o crescimento, disse um integrante da equipe de Guedes que pediu anonimato.

Depois de concentrar o primeiro ano de governo na administração dos problemas domésticos e no encaminhamento das principais reformas estruturais, entre elas a da Previdência, a estratégia do ministro é a de focar boa da estratégia para 2020 na tarefa de atrair capital externo, não especulativo, para financiar os projetos brasileiros, principalmente, de infraestrutura.  

Além de Davos, Guedes pretende reforçar sua agenda internacional nos próximos meses, o que não aconteceu no ano passado quando ele cancelou muitas viagens e não aceitou convites para viajar fora do País.

Para atrair o olhar dos estrangeiros, a equipe econômica pretende explorar também a perspectiva de acelerar a sua entrada como membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), depois do apoio dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à candidatura brasileira.

Um ano após a sua primeira participação no fórum, o ministro vai levar a mensagem de que o Brasil aprofundará as reformas em 2020, está corrigindo erros e começou a entregar a agenda de medidas prometidas pelo presidente Jair Bolsonaro.

Sem o presidente, que cancelou a ida ao Fórum, Guedes será a principal autoridade brasileira em Davos. O encontro reúne líderes mundiais e chefes das maiores empresas do mundo para discutir o aquecimento da economia global. A reunião deste ano acontecerá entre os dias 21 e 24 deste mês.

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