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BASTIDORES: Governo vê risco de novo rebaixamento

O rebaixamento da nota do Brasil pela S&P era algo "precificado" no governo e, salvo uma improvável mudança de rumo nas contas públicas neste ano, prenuncia um novo downgrade para 2015. "Vai ser um ano de forte ajuste", admitiu uma autoridade do governo ao 'Estado'.

Mauro Zanatta, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2014 | 02h01

Nos bastidores, avalia-se que foi a primeira etapa do "efeito defasagem" em curso nas agências de risco. No próximo ano, o Brasil perderia o chamado grau de investimento, selo de qualidade para investidores internacionais, que baliza custo da dívida do País e suas empresas.

Como ficou claro na longa nota divulgada pela S&P, o mercado internacional está influenciado pelo "cenário macroeconômico ruim, de muitas incertezas para 2014", segundo a avaliação. "Será um ano muito difícil, com migração de capital aos EUA, tanto de risco como de médio e longo prazos." Os investidores estrangeiros, disse a autoridade, "estão atrás de segurança" e a aversão a riscos "cresce, mesmo com juros em alta aqui". Em conversas reservadas com autoridades do governo, analistas e investidores reclamam da deterioração fiscal, da intervenção excessiva do governo e da instabilidade nas regras do jogo - o vaivém no programa das concessões é um dos exemplos mais citados. As queixas vêm desde meados do ano passado. Mas pioraram, e muito, no início deste ano.

No quesito intervencionismo, os estrangeiros citam como exemplos a forma de reajuste dos preços dos combustíveis pela Petrobrás e não esqueceram a quebra do império X, do empresário Eike Batista. "Ambos prejudicaram bastante a imagem do País no exterior."

As restrições apontadas por esse público externo nos bastidores têm algumas bases. Avalia-se que o impulso aos investimentos, destacado ontem pela S&P, sofrerá alguns "constrangimentos em 2014". O ano terá menos dias úteis, haverá uma razoável parada na Copa do Mundo e, em seguida, virá o rearranjo político obrigatório pós-eleição, seja no primeiro ou no segundo turnos, com troca da equipe, transição e, quem sabe, uma nova política econômica. Além disso, será necessário um esforço para tirar do papel uma nova agenda legislativa e 2015, na visão geral, "será ano de ajuste e hora de pagar a conta".

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