André Dusek/Estadão
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BASTIDORES: Parte do Copom avalia que inflação é risco real e concreto

A piora do quadro internacional foi consenso na reunião do Comitê de Política Econômica (Copom) para decidir pela manutenção da taxa básica de juros (Selic) no mesmo patamar, mas o Estado apurou que há avaliações, dentro do próprio colegiado, de que o País ainda não foi tão contaminado a ponto de esta nova manutenção dos juros se justificar.

Célia Froufe e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2016 | 07h58

O risco externo pode até existir, mas ainda está no campo hipotético, segundo essas avaliações.

O comunicado do Banco Central, distribuído ontem após a reunião do colegiado, mostra que a maioria dos membros do Copom votou pela estabilidade da Selic temerosa dos efeitos que o Brasil pode sofrer com o aumento dos riscos externos.

Mas para a minoria do colegiado, a inflação é um risco real e concreto. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o ano passado em 10,67%, bem acima do teto da meta de 6,5%, obrigando o Banco Central a escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. Por isso, seria preciso agir já e aumentar a taxa Selic o quanto antes, na visão dessa minoria.

A percepção é de que pode ser perigoso deixar de agir para resolver um problema real – e que está piorando – para atender o que é ainda uma possibilidade. Dentro do Banco Central, existem defensores já há algum tempo de que não existe relação entre deixar o quadro inflacionário piorar para beneficiar a atividade. Isso poderia ser até uma verdade no curto prazo e em situações normais, mas o cenário econômico atual não é de normalidade.

Dado que o quadro hoje é de excepcionalidade, usar as ferramentas possíveis para fazer a inflação cair – por meio da alta da Selic – é gerar uma queda dos prêmios de risco que estão embutidos na curva de juros e que estão elevados.

A melhor maneira de fazer essa inflação cair, para quem votou pela alta da Selic, é atuar principalmente pelo canal das expectativas, aí sim, levando efeitos benéficos para a atividade e o quadro fiscal.

No último Relatório de Mercado Focus, que conta com a participação de cerca de 120 instituições financeiras, a projeção para o IPCA deste ano subiu para 7,0% – acima do teto da meta de 6,5% – e a para a inflação de 2017 avançou de 5,2% para 5,4%, se distanciando ainda mais do centro perseguido pelo Banco Central de 4,5%.

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