BAT pagará mais por ações da Souza Cruz

Pressionada por minoritários, British American Tobacco eleva oferta por ações da brasileira

Karin Sato, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2015 | 02h03

Os minoritários da fabricante de cigarros Souza Cruz venceram uma briga que já durava seis meses com a controladora da empresa, a British American Tobacco (BAT). O impasse era em relação ao preço das ações na oferta pública de aquisição (OPA) que tem o objetivo de fechar o capital da empresa e tirá-la da BM&FBovespa.

A proposta inicial de R$ 26,75 por ação subiu para R$ 27,62, a ser ajustado por proventos. A reação dos investidores foi imediata e os papéis subiram 12,86% no pregão de ontem, para R$ 26,42.

Com ações listadas na Bolsa de Londres, a BAT comunicou o mercado, em fevereiro deste ano, que pretendia fechar o capital da Souza Cruz. A operação deve movimentar mais de R$ 10 bilhões.

Na ocasião, profissionais do mercado disseram que a medida não era surpreendente porque a BAT já tinha fechado o capital de diversas empresas em outros países nos últimos anos. Além disso, os analistas avaliaram que a empresa não tinha grandes necessidades de se financiar no mercado de capitais.

O primeiro preço anunciado havia sido de R$ 26,75 por ação. Com base no fechamento do pregão anterior ao anúncio, o prêmio era de 13%. Mas minoritários relevantes se opuseram ao valor.

Impasse. Em março, a Aberdeen Asset Management, gestora de fundos que detinha mais de 10% das ações da empresa, pediu a convocação de uma assembleia geral especial de acionistas. A ideia era que fosse realizada uma nova avaliação para determinar o valor das ações da companhia.

Outra gestora que não aceitou o preço foi a NCH Capital, especializada em mercados emergentes. O sócio James Gulbrandsen justificou, na ocasião, que o valor oferecido estava abaixo do preço justo, dada a qualidade do negócio da empresa e de seus resultados financeiros.

A assembleia de acionistas aprovou em abril a realização de nova avaliação do valor das ações. O laudo, elaborado pela filial brasileira do banco Credit Suisse, ficou pronto em maio e apontou para um valor econômico entre R$ 24,30 e R$ 26,72.

Como o preço apontado era inferior ao proposto inicialmente, a BAT informou que pretendia prosseguir com a oferta naquelas mesmas condições. Na realidade, o preço acabou até mesmo sendo reduzido para R$ 26,12, em razão de ajuste de proventos.

Pressão. No fim das contas, a pressão exercida pelos minoritários acabou fazendo efeito e a gestora Aberdeen se comprometeu a aceitar a nova oferta.

No primeiro semestre deste ano, o lucro da Souza Cruz encolheu 2% na comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando R$ 831,3 milhões.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) também diminuiu. A queda foi de 7,1%, para R$ 1,244 bilhão.

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