‘Batalha de ideias’ abre janelas de negócios

Na primeira reportagem sobre como inovar pela web, ‘Estado’ mostra caso de sucesso

Ligia Aguilhar, especial para O Estado,

21 de fevereiro de 2011 | 10h06

Você já deve ter ouvido falar em web 2.0. Mas e em open innovation? Talvez não conheça bem esses conceitos, mas eles estão a favor de quem quer empreender. Por isso, o Oportunidades inaugura hoje a série de três reportagens Empreendedor conectado.

A seguir, você vai conhecer a iniciativa Battle of Concepts. Dia 13, redes sociais próprias para empresários e, dia 20, um apanhado de ferramentas digitais para alavancar seu negócio.

Pronto para navegar? Então, imagine um site onde o pensamento colaborativo ajuda empresas a vencer o desafio de inovar e jovens e estudantes a encontrar espaço para mostrar suas ideias e empreender. Trata-se do Battle of Concepts, criado na Holanda em 2005 e trazido para o Brasil no fim de 2009 pelo holandês especialista em inovação Hans van Hellemondt.

Pura inovação aberta - ou open innovation -, a ideia é simples: as empresas expõem no site www.battleofconcepts.com.br um dos seus desafios para inovação (as batalhas) - como a busca por ideias para um novo produto ou pela melhora de determinado processo - e oferecem um prêmio de R$ 15 mil para ser dividido entre as dez melhores soluções.

Pelo período de até três meses a batalha fica em aberto para que estudantes universitários e jovens profissionais de até 30 anos enviem gratuitamente um projeto para solucionar o problema. Encerrado o prazo, a companhia recebe todas as ideias e seleciona as top 20. Os dez primeiros recebem pontos no site, que servem como uma espécie de termômetro da capacidade criativa do profissional.

"Por muito tempo, as empresas subestimaram as novas maneiras de comunicação. Agora, estão vendo que podem usar a web 2.0 para inovar, o que nem sempre conseguem em seu ambiente físico", diz Hans.

O investimento para lançar uma batalha é de R$ 42 mil, contando impostos e verba de premiação. "O custo é baixo se você considerar o número de projetos recebidos e o fato de que a empresa teria de terceirizar esse tipo de serviço. Ou contratar profissionais para resolver esses problemas, o que sairia mais caro", afirma Hans. Nos 13 desafios já lançados, cada empresa recebeu de 30 a 200 ideias.

A Natura, que lançou uma batalha na qual pedia propostas para a criação de uma nova linha de produtos, recebeu 107 sugestões. "Ficamos surpresos com a quantidade de conceitos e com a participação de pessoas de áreas do conhecimento não relacionadas a desenvolvimento de produtos", diz a gerente de Ciência e Tecnologia da empresa de cosméticos, Cristiane Calvo.

Chance. Os estudantes de engenharia mecatrônica da Universidade de São Paulo (USP) Daniel Damas, de 25 anos, Diogo Dutra, 24, e Miguel Chaves, 25, aproveitaram o Battle of Concepts para empreender. Após ganharem o primeiro lugar em uma batalha da Tecnisa, do setor de construção civil, em que criaram um conceito de condomínio sustentável como resposta a sugestões de novas tecnologias ou serviços para condomínios, abriram a Caos Focado, consultoria de inovação.

"Tínhamos as dúvidas de todo empreendedor, mas o resultado nos deu confiança para abrir a empresa", diz Daniel.

Eles já participaram de outras quatro batalhas e ficaram entre os seis primeiros lugares em três. Agora, negociam com a Tecnisa para avançar no projeto. "A exigência do trabalho dentro das empresas impede a inovação. Como estamos de fora, não pensamos nas restrições que um funcionário consideraria e, assim, nossa criatividade flui melhor. "

O trio garante que inovar é fácil. Exige apenas técnica e mente aberta. Eles já receberam propostas de emprego, mas recusaram. Preferem tocar o próprio negócio. Como eles, outros jovens foram contratados por empresas ou fecharam um contrato de prestação de serviços pelo site. "Consultoria em inovação está crescendo. O site é uma boa forma de começar", diz Daniel.

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