Batata e cebola passam tomate e são novos vilões da inflação

De modo geral, preço dos alimentos subiu perto do dobro da medição do IPCA, do IPC-S e do IPC-Fipe no 1º semestre

Flavio Leonel e Maria Regina Silva, da Agência Estado,

05 de julho de 2013 | 19h42

SÃO PAULO - Neste começo de ano, os alimentos foram os grandes responsáveis pela alta da inflação. E, embora o tomate tenha sido apresentado na maior parte do tempo como o maior vilão, no final desses seis meses foi a batata quem emplacou como líder dos preços elevados.

No IPCA, o tubérculo acumulou elevação de 67,84% em seis meses. No IPC-S e no IPC-Fipe, subiu 72,80% e 53,66%, respectivamente. Já o tomate subiu 43,80% no IPCA; 42,91% no IPC-S; e 50,33% no IPC-Fipe.

Até a cebola, que muitos reprovam, também passou o tomate: seu aumento acumulado foi de 58,88% no IPCA. No IPC-S, o item mostrou variação de 62,94%. No IPC-Fipe, a alta foi de 48,99%.

Ritmo intenso. O setor de alimentos, num todo, encerrou a primeira metade do ano com variação próxima do dobro da inflação média apurada no período. A boa notícia, de acordo com alguns especialistas, é que o segundo semestre tende a ser melhor para os preços dos alimentos, seja pela sazonalidade favorável ou pela safra mais positiva de alguns itens.

Entre janeiro e junho, no principal indicador de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o grupo Alimentação acumulou elevação de 6,02% contra uma taxa geral de 3,15%. Situação parecida foi observada no Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) com taxa de 3,29% contra variação positiva de 6,29% dos alimentos.

Mesmo no paulistano Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o cenário foi de elevação forte dos alimentos no primeiro semestre. O indicador que traz a inflação da maior capital do Brasil subiu menos que o IPCA e o IPC-S (1,89%), mas a Alimentação avançou 3,12%.

A explicação mais usada para justificar esse comportamento dos alimentos foi o clima chuvoso dos primeiros meses de 2013 que atrapalhou especialmente a oferta dos chamados itens "in natura". Caso clássico do ano e capaz de gerar piadas e até mobilização nas redes sociais, o tomate subiu 43,80% no IPCA do primeiro semestre; 42,91% no IPC-S; e 50,33% no IPC-Fipe.

O que está por vir? Para o segundo semestre, o cenário traçado para a inflação da Alimentação parece ser um pouco mais favorável do que o da primeira metade de 2013, conforme a avaliação de alguns especialistas. É o caso do coordenador do IPC-Fipe, Rafael Costa Lima.

"É sempre arriscado apostar no comportamento dos alimentos, mas o segundo semestre tende ser melhor para os preços do grupo do que o primeiro", comentou, fazendo a ressalva justamente em função da eterna volatilidade dos preços dos itens in natura, que, no indicador paulistano acumularam alta de 15,11% no semestre, mas que já recuaram 1,69% só no mês de junho.

Costa Lima lembrou que a própria sazonalidade do período entre julho e dezembro, com a probabilidade de menos chuvas, tende a impedir grandes pressões sobre os preços dos alimentos. Afora este detalhe, também citou, por exemplo, que o preço do feijão, importante item na mesa do brasileiro, deve sofrer bom alívio no País, depois da recente redução no imposto de importação do produto determinada pelo governo federal.

Preocupação que é unanimidade atualmente entre economistas e coordenadores de índices de preços, o avanço do dólar surge como ameaça às expectativas de um momento de alívio na Alimentação no segundo semestre. Com a escalada da moeda norte-americana acima da marca de R$ 2,20, o temor atual é que os preços das commodities agrícolas sejam prejudicados e que o repasse cambial chegue ao consumidor nos próximos meses.

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