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''Batemos no fundo do poço'', diz Agnelli

Presidente da Vale afirma que, apesar de as vendas terem caído 30%, as perspectivas são animadoras

Natalia Gomez e Mônica Ciarelli, O Estadao de S.Paulo

08 de maio de 2009 | 00h00

Um dia após a divulgação da queda de quase 30% nas vendas de minério de ferro no primeiro trimestre, o presidente da Vale, Roger Agnelli, afirmou que o período pode ter sido o fundo do poço para o setor de mineração. Mas traçou um quadro mais positivo para os próximos meses ao lembrar que os estoques mundiais de minério já foram consumidos."Ninguém mais tem estoque, nem nós", disse o executivo, em teleconferência com analistas. Para Agnelli, a grande vantagem hoje em relação ao início de 2009 é que se pode prever com um pouco mais de visibilidade o comportamento da demanda. Se as economias da Europa e dos Estados Unidos ainda não apontam reação, a China tem conseguido minimizar os impactos negativos da crise nos resultados da Vale. "O clima está perto de 30°C negativos na Europa, mas estamos a 40°C positivo na China", disse. No primeiro trimestre, o mercado chinês absorveu quase 67% das vendas feitas pela Vale, o que corresponde ao dobro da participação que a China tinha no mix de venda da companhia no quarto trimestre. Como o minério produzido naquele país tem custos elevados e baixa qualidade, Agnelli vê a possibilidade da demanda por minério no país continuar crescendo. Parte do aumento de vendas vem do fato de a mineradora brasileira ter oferecido desconto de 20% a seus clientes da Ásia. Com a mudança, o preço médio ficou 15% abaixo do praticado no último trimestre de 2008. Apesar da China ter salvado o resultado da companhia, a forte concentração dos negócios em um só país preocupou os analistas. O chefe da área de análise da Modal Asset Management, Eduardo Roche, acredita que a estratégia de jogar todas as fichas no mercado chinês é arriscada para a mineradora. "A dúvida agora é saber se essa demanda da China é sustentável ou irá diminuir assim que os estoques voltarem ao patamar considerado ideal", questionou. Já o diretor executivo de Finanças da Vale, Fábio Barbosa, acredita que com a recuperação das economias da Europa e dos Estados Unidos, a participação da China no mix de venda da companhia deva se reduzir. "Não acredito que isso vai perdurar para sempre. Deve se reverter", disse Barbosa, ao lembrar que a estratégia comercial da companhia conseguiu minimizar o impacto da retração de demanda registrada por outras economias como a da Europa e dos Estados Unidos. Juntos, esses dois mercados representavam antes do agravamento da crise mundial cerca de 50% do destino das vendas de minério de ferro da companhia brasileira. "Acho que isso mostrou a capacidade da Vale de se adaptar a uma mudança radical das diretrizes." RESULTADOApesar do cenário mais otimista traçado por Agnelli, o diretor executivo de Finanças da Vale admitiu que o balanço financeiro da empresa no primeiro trimestre divulgado anteontem refletiram os tempos "mais difíceis que estamos passando". "Não podemos brigar contra esta realidade. Tivemos que tomar medidas duras importantes para consolidar a solidez da nossa empresa. Nós enxergamos a crise como sem precedentes nas últimas décadas. É uma crise capaz de mudar o mundo e a Vale não poderia estar imune neste processo", disse. Ele ressaltou, no entanto, que a companhia está "preparada para enfrentar este processo". "Temos confiança de que no longo prazo, aquele cenário que prevíamos, com os países em desenvolvimentos se transformando em desenvolvidos deve acontecer e isso deve posicionar bem a Vale em termos de seus compromissos e de seus investimentos programados. A Vale está preparada para sair desta crise mais forte."

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