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Bayer pode emitir novo CRA para financiar produtores

Isentos de Imposto de Renda, os CRAs atraem investidores

Coluna do Broadcast Agro, Impresso

16 Abril 2018 | 05h00

A Bayer avalia emitir novo Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) em 2018 para captar recursos e financiar produtores na compra de defensivos e sementes. Isentos de Imposto de Renda, os CRAs atraem investidores. Para empresas do setor e agricultores, servem como fonte de financiamento da produção, a taxas inferiores às da Selic, de 6,5% ao ano. “Cada CRA levanta dinheiro suficiente para financiar a venda de insumos aos distribuidores e produtores por três safras”, conta à coluna o diretor de Operações Estruturadas, Eduardo Roncaglia. O próximo CRA deve ter montante igual ou superior aos R$ 270 milhões captados em 2016. Até agora, a Bayer emitiu dois, somando R$ 380 milhões. Um foi lançado em 2015 e atenderá, até junho deste ano, 19 revendas e produtores. Já a emissão feita em 2016 cobre 63 beneficiários e vai até junho de 2019.

Vai além. A Bayer também está financiando mais produtores por meio de barter – operação triangulada na qual produtores adquirem sementes e defensivos da empresa em troca de grãos, que são entregues posteriormente às tradings. Estas quitam a dívida do agricultor com a fornecedora. “Nas últimas quatro safras, os negócios via barter aumentaram dez vezes”, diz Roncaglia. Tanto que a companhia considera ter atingido o “teto” das vendas com a ferramenta. Em 2018/2019, quer apenas repetir o desempenho. 

E nós? O setor agroindustrial busca mais espaço nas negociações internacionais. Em documento a ser enviado ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, se compara, em importância, ao setor automotivo, considerado um dos maiores beneficiados pela pasta. As indústrias de biotecnologia agrícola, cacau, café, carne bovina, defensivos e suco de laranja, que encabeçam o pleito, destacam seu peso na economia: a agroindústria foi responsável por 44% dos US$ 96 bilhões em exportações do agronegócio de 2017, com saldo de 12.135 empregos, puxado sobretudo pela laranja. 

Encolhendo. A agroindústria diz que no ano passado as empresas automotivas reduziram seu quadro em 205 funcionários. Do outro lado, enfatiza no documento, 3,8 milhões de brasileiros trabalham no processamento de produtos agrícolas e pecuários. A intenção é entregar o texto ao ministro Marcos Jorge este mês. 

Muita calma nessa hora. A expectativa do agronegócio brasileiro, de levar alguma vantagem na disputa comercial entre Estados Unidos e China, ampliando suas exportações, requer atenção, diz Guilherme Bellotti, analista sênior de Agronegócio do Itaú BBA. A China pode, por exemplo, fazer concessões aos EUA, reabrindo seu mercado à carne de frango norte-americana. Isso poderia reduzir os embarques brasileiros ao país asiático, que somaram US$ 760 milhões em 2017. “Não se pode perder de vista também que, caso as ações protecionistas perdurem, poderemos observar uma redução do comércio global.”

Até agora, nada. O aumento das exportações de grãos pelo Arco Norte do Brasil não trouxe, como se esperava, redução do preço de frete ao produtor do norte de Mato Grosso, mostra, em estudo, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) a ser divulgado até o fim do mês. “De 2012 a 2017, as exportações pelo Norte saltaram de 2 milhões para 9 milhões de toneladas, a infraestrutura melhorou consideravelmente, mas o preço do frete para Miritituba, no Pará, em relação a Paranaguá, no Paraná, trajeto que tem o dobro da distância, até aumentou”, explica Alan Malinski, assessor técnico da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas. “Não dá para cravar o motivo, mas, aparentemente, tradings absorveram essa vantagem logística.”

Carne verde. O frigorífico norte-americano National Beef, comprado recentemente pela Marfrig, deve funcionar nos Estados Unidos como porta de entrada para a carne produzida na América do Sul, considerada “mais natural”, em função da alimentação dos bovinos. No Hemisfério Sul, os animais são engordados a pasto, ao ar livre, enquanto no Norte o sistema que predomina é o confinamento em estábulos, com alimentação à base de ração – principalmente milho e farelo de soja. Ainda na linha sustentável, com crescente demanda global, a Marfrig mantém no Uruguai a produção de carne bovina orgânica certificada. 

Efeito dominó. O clima mais seco na safra 2017/2018 favoreceu a maior ocorrência da cigarrinha-do-milho no plantio de verão e, de quebra, fez as vendas de inseticidas que controlam a praga aumentarem 85%, para US$ 17 milhões. Estudo da consultoria Kleffmann aponta que a área tratada com o defensivo chegou a 1,84 milhão de hectares neste ano, ante 906 mil em 2017. 

Mais um Jardim. O novo secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, Francisco Jardim, assume a pasta nesta segunda-feira (16) com a promessa de continuidade do trabalho de seu antecessor, o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS), que saiu do cargo para tentar a reeleição. “O governador Márcio França pediu ênfase na agricultura familiar e para agregar renda ao pequeno e médio produtor”, conta Jardim, que deixou a Superintendência Federal do Ministério da Agricultura em São Paulo. Francisco e Arnaldo, apesar do mesmo sobrenome, não são parentes.

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