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BB admite que pode reduzir dividendos após Nossa Caixa

Segundo vice-presidente de Finanças, outra opção para capitalizar o banco é emitir instrumentos híbridos

Ana Paula Ribeiro, da Agência Estado,

24 de novembro de 2008 | 12h20

A redução do pagamento de dividendos a acionistas e a capitalização via instrumento híbrido de capital e dívida são alternativas caso o Banco do Brasil necessite elevar o índice de Basiléia da instituição. "Alterar o dividendo é também uma possibilidade", afirmou o vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores, Aldo Luiz Mendes, em teleconferência a analistas. Os dividendos representam a parcela do lucro da empresa ou da instituição financeira distribuída aos acionistas.   Veja também: Nossa Caixa deve contribuir para o lucro já em 2009, diz BB BB pode reduzir dividendos para pagar Nossa Caixa Banco do Brasil garante que não fará demissões E agora, Bradesco?, pergunta o mercado Negócio com a Nossa Caixa ficou caro, dizem analistas Ação da Nossa Caixa sobe mais de 80% com interesse do BB Governo age por vaidade, diz associação de minoritários do BB   Com a compra da Nossa Caixa, a estimativa é que o BB fique com um índice da Basiléia de 12,8%. Esse índice mede a capacidade de alavancagem de uma instituição financeira, ou seja, quanto um banco pode emprestar em relação à sua posição de capital. No Brasil, o índice mínimo exigido pelo Banco Central é de 11% do patrimônio de referência. Porém, essa folga de 1,8 ponto percentual permite elevar a carteira de crédito em cerca de R$ 50 bilhões, abaixo do que o BB tem feito nos últimos anos.   O BB distribui hoje a seus acionistas 40% do lucro em forma de dividendos e juros sobre o capital próprio. O mínimo estabelecido pela legislação é de 25%. Além da possibilidade de reduzir o porcentual, Mendes lembra que a instituição tem espaço para emitir até R$ 10 bilhões de instrumentos híbridos, que são títulos e contratos utilizados na captação de recursos e elevação do capital de um banco.   O diretor de Gestão de Riscos da instituição, Renê Sanda, não acredita que essa margem apertada irá prejudicar o crescimento da carteira de crédito. De acordo com o executivo, historicamente o BB tem um lucro líquido de R$ 6 bilhões ao ano, o que possibilita a ampliação da carteira de crédito em R$ 43 bilhões, além da folga de 1,8 ponto em Basiléia.   Já o vice-presidente de Finanças conta ainda com as sinergias que a incorporação irá gerar ao BB, que podem chegar a R$ 440 milhões ao ano no que diz respeito às concessões de crédito.   Minoritários   Além disso, o BB ainda estuda se pagará os minoritários da Nossa Caixa à vista ou parcelado, modelo em que será feito o pagamento ao Estado de São Paulo. "Esse é um ponto que ainda estamos discutindo com o jurídico", afirmou o gerente-geral da Unidade de Relações com os Investidores do BB, Marco Geovanne Tobias da Silva.   O executivo lembrou que as regras do Novo Mercado para aquisições determinam que o pagamento aos minoritários deve ser feito nas mesmas condições dadas ao controlador. No caso, o Estado de São Paulo irá receber o pagamento em 18 parcelas mensais de R$ 299,25 milhões a partir de março de 2009. No entanto, ele lembra que há questões operacionais que dificultam esse parcelamento. Como exemplo, citou os pequenos investidores, em que o custo da transação poderá ser maior que o valor que esse acionista terá a receber. "A lei não proíbe oferecer benefícios a mais para os minoritários", disse.   O registro da oferta de pública de ações (OPA) para os acionistas da Nossa Caixa deverá ser realizado em março na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), após a aprovação da aquisição pelo Banco Central. Antes disso, a Assembléia Legislativa de São Paulo precisa aprovar a venda da Nossa Caixa para o Banco do Brasil. A expectativa do BB é que essa votação aconteça até meados de dezembro.

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