BB compra banco de pequeno porte nos EUA

Por US$ 6 milhões, instituição adquire o EuroBank, que tem pouco mais de US$ 100 milhões em ativos e três agências no Estado da Flórida

Leandro Modé e Altamiro Silva Júnior, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2011 | 00h00

Após uma novela que se arrastou por quase um ano, o Banco do Brasil (BB) fechou a compra de uma instituição financeira nos Estados Unidos. Trata-se do EuroBank, banco de pequeno porte, com pouco mais de US$ 100 milhões em ativos e apenas três agências localizadas no Estado da Flórida. O BB desembolsará US$ 6 milhões no negócio, valor minúsculo se comparado às cifras que normalmente envolvem transações no setor.

"É mais barato comprar do que abrir agências próprias", justificou o vice-presidente de negócios internacionais e atacado do BB, Alan Simões Toledo. "Além do mais, o banco já tem oferta de produtos e serviços. É diferente de atuar do zero."

O BB já atuava nos EUA por meio de duas agências próprias, uma em Miami e a outra em Nova York. Toledo explicou que, nesse modelo, a instituição brasileira é vista pela legislação americana como um banco estrangeiro. É algo que, segundo ele, restringe a comercialização de alguns produtos. Daí a opção pela compra de uma instituição local.

O EuroBank tem três agências. Uma fica em Boca Raton, outra em Coral Gables e a terceira em Pompano Beach. Segundo Toledo, são 1.300 clientes (1.800 contas correntes). A maioria é de estrangeiros que vivem nos EUA, notadamente portugueses. "De brasileiros, são menos de 10%", afirmou.

O EuroBank tinha 18 pessoas físicas como sócios, muitos também estrangeiros - angolanos e portugueses, entre outros.

Após a compra da instituição financeira nos Estados Unidos, a prioridade do BB agora é comprar um banco na América do Sul. Segundo Toledo, o banco público avalia oportunidade de aquisições no Chile, no Equador, na Colômbia e no Peru.

Internacionalização. Segundo o executivo, a estratégia de internacionalização foi desenhada para acompanhar três movimentos: a expansão para outros países de empresas brasileiras, a presença de brasileiros em países estrangeiros e o aumento dos fluxos de comércio do Brasil com o resto do mundo. "A compra do EuroBank foi mais um passo dentro dessa estratégia."

Ainda dentro do processo de internacionalização, o BB está abrindo uma corretora em Cingapura, a BB Securities. Toledo conta que a região era coberta por Londres, mas, por causa do crescimento de negócios do Brasil na Ásia, foi necessário abrir a unidade para fazer operações de mercado de capitais. Ainda na região, está transformando seu escritório de representação local em agência.

Na Argentina, o BB pode elevar sua participação no banco Patagonia para 75% na próxima semana. O banco brasileiro deve receber autorização da comissão de valores mobiliários local para fazer uma oferta pública aos investidores minoritários da instituição, segundo Toledo.

O BB entrou com pedido para fazer a oferta aos minoritários logo após receber sinal verde do conselho de defesa da concorrência para adquirir 51% do Banco Patagonia.

O BB planeja inaugurar ainda neste semestre o que chama de agência conceito, uma unidade do banco desenhada para atender brasileiros em viagem ao país vizinho. A unidade fará operações de câmbio e outros serviços bancários, como retirada de extrato e consultas a investimentos. Nos Estados Unidos, uma unidade assim está sendo construída em Nova York.

Com o projeto de internacionalização, o BB quer elevar a participação de suas operações no exterior nos ganhos totais. Atualmente, menos de 1% do lucro do banco vem dos negócios externos, o que equivale a pouco menos de R$ 9 milhões, considerando os resultados de 2010.

A meta é levar esse porcentual para 9% nos próximos cinco anos, de acordo com Toledo. Para isso, investirá US$ 25 milhões em três anos só nos EUA.

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