BB confirma negociação com o argentino Banco Patagonia

Presidente da instituição afirma que o banco brasileiro pode fazer aquisições também nos Estados Unidos

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

15 de dezembro de 2009 | 09h58

O presidente do Banco do Brasil (BB), Aldemir Bendine, confirmou nesta terça-feira, 15, que a instituição mantém conversas com o Banco Patagônia, da Argentina, para uma eventual associação. A informação foi antecipada na segunda-feira, 14, pela Agência Estado. "Temos rodado o mundo atrás de oportunidade. Estamos conversando na Argentina com o Banco Patagônia e também outros players", afirmou em café da manhã com jornalistas.  O negócio pode ser o primeiro passo do ambicioso plano do governo brasileiro de transformar o BB em banco internacional.

 

Bendine acrescentou que o banco analisa potenciais alvos para uma eventual compra nos Estados Unidos. "Há bancos com alguma dificuldade, mas que têm boa rede de atendimento, produtos e serviços, o que é uma oportunidade. Nada nos impede de comprar um banco nos EUA."

 

A eventual ida aos EUA está em linha com a estratégia do BB de estar em mercados com pelo menos uma das três características: concentração de imigrantes brasileiros, empresas brasileiras ou grande corrente de comércio exterior com o Brasil. São esses motivos que motivam o BB a conversar com o Banco Patagônia na Argentina. "A Argentina tem grande fluxo de comércio exterior com o Brasil. Além disso, o mercado doméstico argentino é bom e tem baixo índice de penetração de serviços bancários", disse Bendine ao ressaltar o potencial de expansão daquele mercado no futuro.

Segundo ele, os representantes do BB e do banco argentino avaliam atualmente um modelo para ser adotado na associação entre as duas instituições. "Não há uma forma estabelecida. Vai depender da realidade da legislação do país (vizinho) e da empresa."

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O BB também confirmou a informação por meio de comunicado ao mercado, em que afirma manter conversas com o banco argentino. No documento divulgado nesta segunda-feira, a instituição ressalta, contudo, que "até o momento, não se tem qualquer decisão a respeito de possível parceria".

 

Bendine comentou ainda que o fato de o Patagônia ter BRDs listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) é um aspecto positivo daquela instituição porque, segundo ele, "naturalmente o banco precisa ter a transparência exigida pelo mercado".

 

Fontes próximas às negociações afirmaram à Agência Estado que representantes do BB começaram a avaliar a saúde financeira do Banco Patagônia em julho, em um processo conhecido como "due dilligence". Desde então, executivos e advogados brasileiros são vistos com frequência na sede do banco argentino, no centro de Buenos Aires. A visita dos brasileiros foi notada pelos funcionários e noticiada na imprensa local.

 

Em Buenos Aires, as negociações foram confirmadas por um executivo que esteve reunido na semana passada com o presidente do Patagônia, Jorge Stuart Milne. "O que está assegurada é a assinatura de uma aliança estratégica entre os bancos", afirmou.

 

As reuniões mostram que, se fechado, o negócio não precisa necessariamente usar o modelo adotado na compra do Votorantim, em que o banco estatal ficou com 49,99% do capital. Diferentemente das aquisições do BB no Brasil, o negócio no exterior não esbarra no problema de a compra transformar o banco alvo do negócio em estatal. Isso porque, por ser estrangeiro, o BB é tratado legalmente como empresa privada em outros países.

 

Na mesa de negociação, estão, principalmente, as ações da família Stuart Milne. Nas mãos dos irmãos Jorge e Ricardo estão 49,94% dos papéis. A terceira maior parte das ações são listadas na Bovespa desde 2007.

Ao decidir fazer oferta inicial de ações (IPO na sigla em inglês), os sócios optaram pelo mercado paulista por ter maior liquidez que a bolsa portenha. Assim, o Patagônia se transformou na primeira companhia estrangeira sem operação no Brasil a ter suas ações listadas na Bovespa. Não é a primeira vez que surgem rumores sobre a venda do Patagônia. Antes, o candidato era outro brasileiro: o Itaú, banco que já tem presença no mercado argentino desde a compra do Buen Ayre, em 1998.

 

Texto atualizado às 14h39

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