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BB deve fechar 30 agências, entre próprias e da Nossa Caixa

Segundo vice-presidente, instituição espera que compra do banco estadual seja aprovada até março de 2009

Chiara Quintão e Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

20 de novembro de 2008 | 16h27

O Banco do Brasil anunciou nesta quinta-feira, 20, em coletiva para detalhar a operação de aquisição da Nossa Caixa, que terá que fechar cerca de 30 agências, entre próprias e do banco estadual. Segundo o vice-presidente do BB, Aldo Mendes, essas agências precisarão ser fechadas em locais que, por razões econômicas, não caberiam duas - uma do BB e outra da Nossa Caixa. "A sobreposição é muito menor do que pensávamos no início", afirmou.     Veja também: BB e governo de SP fecham acordo sobre venda da Nossa Caixa Veja o fato relevante sobre a compra da Nossa Caixa pelo BB Banco do Brasil pode voltar a ser o primeiro do País Compra da Nossa Caixa fortalece Banco do Brasil, diz Mantega Mesmo com Nossa Caixa, BB ainda fica atrás de Itaú/Unibanco Momento é propício para novas fusões, diz Austin Rating  Ação da Nossa Caixa sobe mais de 80% com interesse do BB Governo age por vaidade, diz associação de minoritários do BB Lula quer Banco do Brasil de volta ao topo do ranking Veja o que muda com a Medida Provisória 443 De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise    O executivo informou que o BB, que era o terceiro em número de agências localizadas no Estado de São Paulo, com 772, passa agora a ocupar a primeira posição, com 1.324 agências. Itaú Unibanco possui 1.240, Santander Real tem 1.204 e Bradesco, 1.168. Segundo Mendes, o número de agências da Nossa Caixa foi um dos principais indicadores estratégicos da aquisição.   Mendes afirmou que a operação de compra da Nossa Caixa pela instituição federal deve representar ganhos de sinergia de R$ 2 bilhões a R$ 4 bilhões em cinco anos. Segundo ele, dois terços dos recursos devem vir da otimização de receitas, enquanto um terço se originará da redução de custos. Ele explicou que, juntos, BB e Nossa Caixa detêm o maior volume de depósitos, o menor custo de captação e maior potencial de alavancagem do mercado.   Ágio   O vice-presidente de crédito do BB, Adésio de Almeida Lima, afirmou que o ágio de R$ 1,8 bilhão referente à compra da Nossa Caixa deve ter um abatimento contábil em cinco anos. Pela compra de 71,25% do capital em poder do governo do Estado de São Paulo, o BB deve pagar R$ 5,386 bilhões. O valor total do negócio alcançará R$ 7,56 bi por causa do pagamento aos acionistas minoritários do banco estadual.   Mendes destacou que o ágio da operação pode ser deduzido de tributos como Imposto de Renda (IR) e Contribuição Social Sobre Lucro Líquido. "Como o abatimento será feito em cinco anos, o volume de recursos deve ser equivalente a R$ 1,8 bilhão. Se, por exemplo, essa despesa fosse paga agora, equivaleria a R$ 1 bilhão."   Ele ressaltou que a relação entre crédito e depósitos de menor custo é de 135% para o BB, considerando a aquisição da Nossa Caixa, enquanto esse patamar seria de 254% para o Bradesco, 372% para Itaú Unibanco e 400% para o Santander/Real.   De acordo com o executivo, o BB e a Nossa Caixa estão em uma situação muito favorável quando o assunto é o montante de créditos em relação aos depósitos totais. Ao comparar o volume de crédito sobre os depósitos totais, esse patamar ficaria em 81% no Banco do Brasil/Nossa Caixa, ao passo que atinge 107% no Santander/Real, 115% no Bradesco e 135% no Itaú Unibanco.   O presidente do Banco do Brasil, Antonio Francisco de Lima Neto, disse que outra vantagem da união com a Nossa Caixa é a somatória de depósitos judiciais, pois a primeira instituição tem um total de R$ 32,7 bilhões nessa modalidade, enquanto a Nossa Caixa possui R$ 15,8 bilhões. Os bancos privados não têm acesso a estes depósitos. Os números referem-se às demonstrações financeiras do terceiro trimestre de 2008. "Este montante expressivo é um diferencial importante em relação aos nossos concorrentes e colabora de forma significativa para a concessão de recursos aos nossos clientes", destacou.   Crescimento inverso   Mendes destacou que enquanto o crescimento dos bancos privados ocorreu de São Paulo para o Brasil, no BB o movimento acontece no sentido inverso. Ele citou ainda as compras do Banco de Santa Catarina (Besc), do Banco do Piauí e lembrou que já foram anunciados estudos para aquisição do Banco de Brasília.   Ao falar da consolidação do sistema financeiro nacional, Mendes citou que em 1995 cerca de 55% dos ativos bancários eram detidos pelos dez maiores bancos, e em junho de 2008 esse porcentual era de 75%. Segundo ele, há um movimento de consolidação das instituições em busca de escala e eficiência.   Aprovação   O BB espera que a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo aprove, por meio de lei, a compra da Nossa Caixa até o final do ano, segundo o vice-presidente do BB, Aldo Mendes. "Ao mesmo tempo vamos assinar os documentos finais do contrato de compra e venda", disse. Por enquanto as instituições assinaram apenas o memorando de entendimento vinculante.   Até março de 2009, além da Assembléia, o Banco Central, também deverá aprovar a operação. A expectativa é de que em março do ano que vem a Nossa Caixa se torne uma subsidiária integral do BB e que depois de 12 meses a instituição deverá ser totalmente integrada. "No início teremos uma cadeira no conselho de administração e no conselho de gestão", contou Mendes.   Após a liquidação financeira, estimada para março, será publicado o edital da oferta pública de aquisição. A OPA deverá ocorrer 30 dias depois da publicação do edital. O executivo do BB lembrou que os minoritários receberão o mesmo preço pago ao governo de São Paulo pelo controle da Nossa Caixa.   Fundos de investimento   Segundo Mendes, o Banco do Brasil deverá retomar a liderança de administração de fundos de investimento. Com a Nossa Caixa, os recursos de terceiros administrados pelo BB passam de R$ 244,2 bilhões para R$ 271,5 bilhões, com crescimento de 11%. Os ativos totais dos dois bancos somados chegam a R$ 512,4 bilhões. A carteira de crédito aumenta 6%, para R$ 213,7 bilhões, enquanto os depósitos totais crescem 15%, para R$ 264 bilhões.   O executivo destacou que a Nossa Caixa é um banco "extremamente líquido", com a relação crédito sobre depósito de menor custo de 38%. No BB, essa relação é de 157%. Juntos, os dois bancos terão uma relação crédito sobre esse tipo de depósito de 135%. Na prática isso significa que o Banco terá condições de captar com taxas ainda menores em relação aos concorrentes. "Isso dá condições de assegurar depósitos mais competitivos."

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