Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

BB diz que governo deu resposta oportuna a produtores

Para o vice-presidente de agronegócios e governo do Banco do Brasil, Ricardo Conceição, o "governo deu respostas oportunas" à crise do setor agrícola. "A situação é transitória. Não tenho dúvida da retomada do agronegócio brasileiro. Os produtores precisam de uma ponte", afirmou. Essa "ponte", explicou, é um conjunto de medidas que permitam aos agricultores superar os momentos difíceis.Ele concedeu entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira na sede do Banco do Brasil, em Brasília, para detalhar as ações da instituição de cumprimento as medidas "emergenciais" para ajudar os produtores rurais. O pacote foi anunciado há um mês pelo governo federal.Na avaliação de Conceição, "o problema (do setor) é de liquidez, não patrimonial". O vice-presidente acrescentou que a prorrogação de dívidas dos agricultores, medida que consta do pacote, não afetará o balanço final do banco. "A carteira agrícola é boa. O setor não é de risco. Ele(agronegócio) depende da conjuntura", completou. Em 2005, o banco prorrogou R$ 2,5 bilhões em dívidas dos produtores rurais. Demandas justasConceição considerou ainda que algumas demandas dos produtores rurais são "justas". Na última terça-feira, representantes dos agricultores do Mato Grosso entregaram ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, um documento com vários pleitos do setor para o governo. Essas medidas, argumentam as lideranças, minimizariam a crise que atinge o agronegócio e gerou nos últimos dois anos, segundo cálculos do ministério, prejuízo de R$ 30 bilhões.A alocação de recursos para o seguro rural, investimentos em infra-estrutura, desoneração tributária e a permissão para uso de defensivos genéricos nas lavouras também receberam essa classificação.Os agricultores também querem um câmbio fixo para exportação de produtos agropecuários. "Me inclua fora dessa", brincou, ao ser questionado se a medida era razoável. Mesmo volume O vice-presidente do BB afirmou também que a intenção da instituição é oferecer aos produtores na próxima safra, 2006/07, o mesmo volume de recursos disponibilizados no atual ano agrícola. "A idéia é oferecer o dinheiro com juro mais baixo", disse. "Queremos, no mínimo, dar apoio semelhante na próxima safra", comentou.Na colheita atual, o banco, maior financiador do agronegócio, pode oferecer R$ 27,1 bilhões aos agricultores, dos quais R$ 23,4 bilhões já foram aplicados pela instituição. O juro do crédito rural é de 8,75% ao ano, porcentual que pode variar de acordo com o tipo de empréstimo. O montante e o encargo financeiro dos empréstimos são definidos pelo no governo no Plano Agrícola e Pecuário 2006/07. Nesta quarta, em São Paulo, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse que o plano deve ser anunciado antes do final de maio. Prazo Já os agricultores interessados em reprogramar a data de vencimento dos custeios prorrogados em 2005 têm até o dia 31 de julho para procurar o Banco do Brasil. Conceição explicou que as agências já estão autorizadas a conceder prazo para pagamento das prestações de 2006 dos custeios prorrogados em 2005. Segundo ele, o novo prazo será de até um ano após o vencimento da última prestação prorrogada. "Para produtores cuja renda principal é o algodão, arroz, milho, soja, sorgo ou trigo, a concessão será efetivada de forma automática, sem a necessidade de aditivos aos contratos já existentes. Nos demais produtos, será feito exame caso a caso." Prazo adicionalOs agricultores que prorrogaram no ano passado o pagamento das dívidas de custeio da safra 2004/05 ganharam prazo adicional para quitar esses débitos. O cronograma inicial era que o pagamento dessas dívidas fosse feito em junho, julho e agosto de 2005, mas o governo autorizou o pagamento posterior, em março e abril deste ano.O BB informou nesta quarta que esses débitos poderão ser pagos em junho. Com a medida, os agricultores podem vender suas safras a preços melhores. Para ter direito ao prazo extra, o produtor precisa procurar os bancos até a próxima segunda-feira (15).Todos os casos Conceição explicou que as dívidas de custeio da safra 2005/06 dos principais produtos agrícolas podem ser pagos em cinco parcelas mensais. As parcelas são iguais e sucessivas, vencendo a primeira 60 dias após a data prevista para o término da colheita. "Qualquer que seja a situação, pode haver negociação", disse. A regra não vale só para o custeio, mas também para outras linhas oferecidas aos agricultores.No caso do custeio, quando comprovada a incapacidade de pagamento decorrente de situações adversas (dificuldade de comercialização, frustração de safra ou ocorrências prejudiciais ao desenvolvimento das explorações), o Manual de Crédito Rural (MCR) possibilita a concessão de novo prazo para pagamento, que, em geral, vai de um a cinco anos. Nestas situações, o produtor deve formalizar seu pedido de prorrogação até a data de vencimento da operação, informou o banco.

Agencia Estado,

10 de maio de 2006 | 15h52

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.