BB e BNDES reforçam superávit primário

A economia feita pelo governo federal para o pagamento de juros da dívida em julho foi reforçada pela entrada de R$ 2,33 bilhões de dividendos pagos pelo Banco do Brasil e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

ADRIANA FERNANDES, CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h09

Sem essa receita adicional, o superávit primário de R$ 3,98 bilhões do Governo Central - que reúne as contas do Tesouro Nacional, INSS e Banco Central - teria ficado em R$ 1,65 bilhão.

Os dados divulgados ontem pelo Tesouro mostraram um quadro de ritmo ainda lento dos investimentos públicos e de desaceleração do crescimento das receitas.

A taxa de expansão do dinheiro que entra nos cofres públicos no ano caiu de 8,7%, em junho, para 7%, em julho. O avanço das despesas, no período, ficou praticamente estável, passando de 12,5% para 12%.

Com as receitas menores do que o projetado no início do ano, por causa da recuperação lenta do crescimento econômico no País, o governo passou a contar com o ingresso maior de dividendos pagos pelas empresas estatais para fechar as contas e cumprir a meta fiscal do ano.

A expectativa do governo é que será possível receber R$ 26,5 bilhões em dividendos este ano. Até julho, essas receitas somavam R$ 10,2 bilhões, uma queda de 12,7% em comparação com o apurado no mesmo período de 2011.

No ano, o superávit acumulado ficou 22,9% menor do que o verificado no mesmo período do ano passado, fechando em R$ 51,9 bilhões.

Otimismo. Ao contrário de alguns analistas econômicos que veem risco de cumprimento da meta fiscal este ano, por causa do desempenho ruim das receitas, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, manteve o discurso otimista.

Ele previu uma recuperação das receitas nos próximos meses e afirmou que as medidas de desoneração tributária não vão prejudicar o cumprimento da meta de superávit. "Estamos tomando as medidas anticíclicas adequadas. Isso não implica em mudança na meta fiscal."

O secretário disse ainda que não vê problemas de lucratividade das empresas estatais que possam dificultar o cumprimento da estimativa de ingresso de dividendos e da meta fiscal.

"Estamos já acima da meta para o quadrimestre. Estamos cumprindo as metas de quadrimestre com antecedência", enfatizou. A meta para o segundo quadrimestre - que se encerra em agosto - é de R$ 46 bilhões. "Isso vai melhorar ainda no mês de agosto", previu.

O ritmo de crescimento dos investimentos do governo federal voltou a desacelerar. Até junho, o avanço era de 30,7% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado até julho, essa expansão ficou em 29,4%, na comparação com 2011. No total, foram investidos R$ 38,8 bilhões de janeiro a julho deste ano.

O total investido inclui os subsídios pagos no Programa Minha Casa, Minha Vida, que passaram a ser contabilizados como investimentos.

Segundo dados do Tesouro, o governo pagou R$ 10,3 bilhões de janeiro a julho de despesas do programa de habitação. Se não fossem esses gastos, o total de investimentos acumulado no ano cairia para R$ 28,5 bilhões, volume menor do que os R$ 30 bilhões no mesmo período do ano.

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